SÍNDROME RARA ATINGE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ASSOCIADA À COVID-19 FAZ TRÊS ÓBITOS

Casos de Síndrome inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) ,doença considerada rara associada ao Coronavírus faz três óbitos. A Secretaria de Estado de Saúde está monitorando os casos. Os sintomas da SIM-P podem aparecer até quatro semanas após a exposição à Covid-19 em crianças e adolescentes de zero a 19 anos. 

Até o dia 22 de setembro, foram notificados 10 casos, conforme levantamento da Secretaria Estadual de Saúde: seis do sexo masculino e quatro do feminino, com idade entre três a 16 anos. Três permanecem em investigação e quatro já tiveram alta hospitalar. Casos foram registrados dos munícipios de Curitiba (7), Fazenda Rio Grande (1), Medianeira (1), Realeza (1). 

Ministério da Saúde, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), emitiu em maio um alerta orientando sobre o manejo clínico e a importância da identificação precoce dos casos de SIM-P no Brasil. 

Conforme relatam os cientistas, integrantes do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP, atenderam uma criança de 11 anos, não tinha doenças preexistentes e, mesmo assim, desenvolveu um quadro grave de saúde. Apenas 28 horas depois de ter sido internada em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), apresentou disfunção cardíaca e choque cardiogênico, precisando de ventilação mecânica pulmonar e medicações para estabilizar seu sistema cardiovascular. A situação, classifica a médica Juliana Ferranti, que participou do estudo, é "muito rara dentro da pediatria". 

A equipe médica que atendeu a paciente realizou exames de sangue, radiografia, tomografia de tórax, eletrocardiograma e ecocardiograma, que confirmaram a presença de um processo inflamatório e o comprometimento severo do coração. Após o falecimento da criança, foram feitas uma análise microscópica de tecidos de diversos órgãos do corpo e uma pesquisa de RNA viral em pulmões e coração. Essa segunda bateria de exames confirmou a relação entre covid-19 e a SIM-P, revelando que a menina teve de fato um quadro leve de pneumonia, causada pelo vírus Sars-CoV-2, e a presença de microtrombose pulmonar. Concluiu-se também que a causa de morte foi a inflamação [miocardite] do coração, que chegou ao estágio de necrose e perda de fibras cardíacas. 

Segundo a professora Marisa Dolhnikoff, uma das autoras do artigo publicado no periódico The Lancet Child & Adolescent Helath afirma; “o que se observa por outras pesquisas é que a maioria das crianças com SIM-P consegue se recuperar da doença, se tiverem o devido tratamento”. Ela acrescenta, porém, que o trabalho alerta para a possibilidade de que sequelas cardíacas remanesçam, ainda que recebam cuidados. 

Informações da Agência Brasil e Secretaria de Saúde do Estado do Paraná



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