DEUS EM TODAS AS COISAS: O SÍNODO E A ''TEOLOGIA DA CRIAÇÃO'' INDÍGENA


Ao exigir respeito pelas culturas dos povos indígenas, o Papa Francisco não está promovendo o panteísmo, mas – explorando suas raízes jesuítas – exigindo respeito por uma visão de mundo que vê Deus em todas as coisas.

A reportagem é de Barbara J. Fraser, publicada em Catholic News Service, 10-10-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Índios, leigos, ecologistas, intelectuais e religiosos no Sínodo para a Amazônia

No dia 9 de outubro, o papa disse ao Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia que ficou decepcionado ao ver um jornal evocar as celebrações do Carnaval no Rio de Janeiro para descrever o rito de oração de abertura do Sínodo no dia 7 de outubro, com seus símbolos e cantos amazônicos.

Muitos dos membros do Sínodo, a maioria dos quais ministram na região amazônica, concordaram com o papa. O resumo do Vatican News sobre a discussão sobre o Sínodo, no dia 9 de outubro, dizia que “a visão da Sala sinodal se ampliou para a teologia da criação, na qual seria a Palavra de Deus à humanidade”.

Esse entendimento é compartilhado por muitos povos indígenas da Amazônia, que consideram o mundo natural sagrado porque Deus está presente em toda a criação. Isso é muito diferente do panteísmo, ou da crença de que os próprios elementos da natureza são deuses, disseram os especialistas.

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“O panteísmo significa acreditar que uma árvore é uma deusa, que o sol é um deus”, disse Moema Maria Marques de Miranda, uma leiga franciscana que é observadora no Sínodo.

A teologia da criação que está sendo discutida no Sínodo, em vez disso, reflete aquilo que São Boaventura, um franciscano, chamava de “panenteísmo”, o “reconhecimento de que toda a criação é uma expressão do amor de Deus”, disse ela ao CNS.

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Essas preocupações se refletem no documento de trabalho do Sínodo, que também observa que a sabedoria ancestral passada de geração em geração entre os povos indígenas da Amazônia “inspira cuidado e respeito pela criação” e proíbe o abuso do ambiente.

O documento “simplesmente reconhece que alguns dos valores presentes nas cosmovisões indígenas, que envolvem um maior cuidado, preservação e proteção da natureza, nos ajudam a lembrar que, como cristãos, temos que perceber o mundo como criação, em que o homem e a mulher contemplam as características de Deus”, disse o padre franciscano João Messias Sousa, que trabalha com os Munduruku no Brasil.

(Do portal do Instituto Humanitas Unisinos)

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