SENADOR AMERICANO RECHARD BLUMENTHAL MOSTRA TUÍTE COM INFORMAÇÃO FALSA SOBRE ELEIÇÃO DOS EUA


Senador americano Richard Blumenthal mostra tuíte com informação falsa sobre eleição dos EUA

 Se há uma entidade que não deveria se meter de jeito nenhum a arbitrar o que é informação que pode circular e o que não é, essa entidade é o Exército brasileiro.

As décadas de ditadura e censura são suficientes para desejar os militares longe de atividades assim, sobretudo se relacionadas a uma eleição.

Mas é justamente essa a costura que está sendo feita em Brasília para enfrentar o problema das notícias falsas. A sugestão do ministro Raul Jungmann é que o Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército trabalhe para identificar tais conteúdos. A ideia soa equivocada não só pelo antecedente histórico, mas também pela eficácia.

Nem a compreensão do problema parece boa. As fakes news têm tudo para ser a maior dor de cabeça das eleições de 2018, assim como ocorreu nos EUA. Acreditar que são incapazes de decidir uma disputa majoritária, como diz o ministro do STF Alexandre de Moraes, é subestimás-las.

A importância delas na vitória de Donald Trump ainda mal foi arranhada. As gigantes da internet começaram só agora, e sob muita pressão, a divulgar imagens dos anúncios falsos e dados de seu alcance.

Um deles, mostrado nesta quarta (1º) no Senado americano, tem uma foto de um ator "ensinando" os eleitores de Hillary Clinton a votar sem sair de casa, usando uma hashtag do Twitter, algo impossível.

Nos EUA, a discussão agora vai no sentido de aproximar as regras para publicidade nas plataformas de internet às da mídia tradicional. O projeto "Lei dos Anúncios Honestos" quer que as gigantes digitais mantenham uma base de dados pública com todos os investimentos acima de US$ 500, incluindo aí a audiência obtida e o preço pago —e mesmo esse caminho talvez seja tímido demais.

Por aqui, o arcabouço legal manco deve jogar seguidas bombas no colo dos tribunais eleitorais. A discussão desse problema complexo começou com uma solução simples e errada.

Roberto Dias
FOLHA DE SÃO PAULO

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