No início da entrevista, a jornalista perguntou por que a Síria passou a
ser alvo dos ataques internacionais e por que passou a ser o centro das
atenções do mundo.
O Presidente Bashar Al Assad disse que um dos
motivos é a importante posição geográfica da Síria e isso não é nenhuma
novidade, mas há outros motivos relacionados ao conflito árabe
israelense, à independência da Síria em suas posições políticas, que
afrontam o ocidente, “sabidamente a favor de Israel e contra os
interesses árabes.
Além disso, a independência da Síria em seus
posicionamentos não agrada ao ocidente, pois atinge seus interesses de
manter a hegemonia na região.
Foi assim em relação à posição da Síria na
guerra do Iraque, assim como na guerra do Afeganistão e na questão do
uso da força na guerra contra o terrorismo. O que se quer é enfraquecer a
Síria, assim como outros países da região, como o Iraque, o Líbano e a
própria Turquia, com o objetivo de abalar o convívio pacífico entre os
povos e mudar a estrutura demográfica da região tornando-a um
instrumento político de fácil condução”.
Quanto à posição da Turquia no conflito, o Presidente Bashar ressaltou
que “existem hoje duas Turquias, a Turquia do povo que é contra o que
vem ocorrendo na Síria, pois o povo turco é historicamente um povo irmão
do povo sírio e tem se manifestado ativamente e veementemente contra a
guerra na Síria, e a Turquia de Erdoghan e seu governo, que estão
envolvidos até o último fio de cabelo no derramamento de sangue do povo
sírio.
Erdoghan é responsável pela perda de dezenas de milhares de vidas
sírias, pela destruição da infraestrutura da Síria e pela
desestabilização da região e não somente a Síria e sabemos que ele
interviu no Egito, na Líbia, na Tunísia e em vários países da região e
envolveu a Turquia em coisas, políticas e guerras que vão contra os
interesses da Turquia e do povo turco”.
Sobre o uso de armas químicas, o Presidente Bashar disse que o governo
não fez uso destas armas, que não havia motivos para usa-los e mesmo que
tivesse, não havia qualquer intenção, por menor que seja, da parte do
Estado de fazer uso de tais armas. Afirmou que quem fez uso destas armas
foram os grupos terroristas e que foram usadas no dia seguinte à
chegada da missão da ONU à Síria com o objetivo de que fosse elaborado
um relatório contra a Síria e parcial em favor dos terroristas.
A
questão estava muito clara, segundo ele. Quanto à questão de algum setor
do exército sírio ter usado armas químicas, o Presidente destacou que
isso não seria possível porque este tipo de armas é de responsabilidade
de uma unidade especial do exército e que não poderiam ser usadas pelas
unidades convencionais, pois o seu uso exige um preparo técnico
complicado, que abrange várias etapas e um ataque só poderia ser
realizado com uma ordem superior. “Então, é impossível que o exército
sírio tenha usado armas químicas”.
O Presidente Assad respondeu a pergunta sobre se a destruição das armas
químicas agilizaria a realização da Conferência de Genebra II, afirmando
que “não vê nenhuma relação entre uma coisa e outra, exceto se os
americanos suponham que o acordo entre eles e os russos seja a base para
a realização de Genebra II ou se o usarem como pretexto político para
se chegar a uma Genebra II, caso contrário os dois assuntos não estão
correlacionados. A questão de Genebra II está ligada ao processo
político interno da Síria de um lado e à infiltração de terroristas
vindos de países vizinhos e o apoio financeiro e bélico dado à eles”.

No que concerne à pergunta sobre a infiltração de terroristas radicais
islâmicos vindos dos quatro cantos do mundo para lutar contra o regime
da Síria e contra o partido Baath, o Presidente ressaltou que “não estão
interessados no Baath e sim em aniquilar qualquer um que não seja igual
a eles, pois estes indivíduos seguem uma ideologia obscura, takfirista
(que considera infiel qualquer um que não seja muçulmano wahabita
radical).
Eles consideram que qualquer pessoa que não siga sua crença,
que não seja radical, que não seja takfirista, que não seja violento e
não baseie suas ações na matança, na violência, na degola e na mutilação
de corpos um não muçulmano.
Na visão deles, servir ao islamismo
significa eliminar todos aqueles que não o seguem e o Estado que
vislumbram estabelecer é um Estado muçulmano conforme suas convicções,
que obviamente não tem nenhuma relação com o islamismo, mas este é o
objetivo deles. Eles são provenientes de mais de 80 países e são
jihadistas que querem estabelecer um Estado muçulmano”.
Quanto ao número
destes terroristas, o Presidente disse que não há como estimar o
número, visto que eles entram pelas fronteiras, especialmente com a
Turquia e o número se renova a cada dia, dado ao fato de serem enviados
novos contingentes a cada dia.
Perguntado sobre como são vistos estes grupos radicais pelos sírios e se
eles tem algum apoio popular ou se os sírios querem ser governados pela
Sharia (a lei islâmica), o Presidente disse que de um modo geral não,
mas que não há como negar que “na Síria, após a guerra do Iraque,
apareceram alguns focos de radicalismo no país mas tinham uma ação
limitada porque atitudes radicais eram socialmente refutadas, porém com a
entrada destes terroristas, estes focos tomaram corpo e passaram a ter
influência em algumas regiões”.
O Presidente disse que “o perigo não
está exatamente nos adultos, mas sim nas crianças, porque quando você dá
uma faca a uma criança e a manda degolar um sequestrado, que tipo de
adulto você espera ter daqui a alguns anos? O que dizer então de
crianças que assistem às degolas como se estivessem assistindo à uma
partida de futebol?
Que tipo de adultos teremos daqui a 10, 15, 20 anos?
Não podemos ignorar que temos um grande problema para o futuro, mesmo
que superemos esta crise. Respondendo à pergunta, creio que se o povo
sírio não se posicionasse contra essa gente desde o início, eles já
estariam no controle da situação”.
Em relação à presença das organizações terroristas na Síria, o
Presidente alertou que “estes terroristas não tem pátria e não
reconhecem limites territoriais porque o objetivo deles é disseminar a
sua crença radical, então não importa se o sujeito é do extremo oriente,
contanto que ele tenha a mesma crença que eles e portanto é considerado
um irmão.
Quanto aos outros, são infiéis que devem morrer, então estes
grupos que estão agora baseados na fronteira com a Turquia irão atacar
os turcos que considerarem infiéis. A crise que afeta a Síria agora já
começou a afetar os países vizinhos, como o Iraque, a Jordânia e o
Líbano e não tem como não afetar a Turquia. Não é necessário muito
raciocínio para entender que o que afeta a Síria, afetará os países
vizinhos e a Turquia é um deles e todos pagarão um preço muito caro,
porque o terrorismo não é um papel que você dobra e coloca no seu bolso,
ele é como um escorpião que mais cedo ou mais tarde irá te picar”.
Perguntado sobre as reformas reivindicadas e a pluralidade partidária no
país e se houve arrependimento de sua parte de não ter atuado para
implementar tais reformas antes da crise, o Presidente disse que o
processo de reformas já estava em andamento antes da crise e que havia
uma orientação para que todas as reivindicações fossem ouvidas, mesmo
que algumas fossem feitas apenas para criar uma desordem e ressaltou que
as reformas estão previstas na Constituição aprovada pela ampla maioria
do povo sírio. “Então a questão não se refere ao Presidente e sim a um
processo nacional.
Quanto ao terrorismo, é dever do Estado combatê-lo e
proteger seus cidadãos. Então, temos uma política muito clara na Síria. É
claro que se nos atermos aos detalhes, encontraremos inúmeros erros.
Ninguém está livre deles e eles existem em todo o lugar, mas para
avaliarmos a eficácia das reformas, é necessário verificarmos os
resultados de forma objetiva e isso só poderá ser feito depois de
superarmos a crise. Não há como verificar os resultados se a maior parte
dos nossos problemas é gerada por fatores externos. Só poderemos
avaliar os resultados com precisão e de forma objetiva depois de
superarmos a crise”.
Sobre a existência do Partido Baath por mais de 40 anos no poder e a
necessidade de reformular o partido, o Presidente concordou que
“qualquer partido precisa de reformulação e de atualização para
acompanhar a evolução dos tempos e isso foi proposto em 2005, durante a
conferência do partido, e elaboramos um plano claro para a reformulação,
principalmente no que concerne a área política na Síria. Todos sabem
que reformas são complicadas e vocês na Turquia começaram este processo
em 1950, ou seja, a mais de 60 anos e conforme falamos e já concordamos,
a democracia na Turquia precisa evoluir. Então nós estamos falando de
um tempo que já incluiu, ao menos, três gerações.
Nós na Síria começamos
este processo a uma década e para haver uma evolução política
precisamos de tempo. Não se trata apenas de leis ou de constituição,
trata-se de um processo social que depende de cada cidadão sírio.
Principalmente em sociedades diversificadas como a sociedade síria e a
turca onde existem várias religiões, seitas e etnias.
É um processo onde
os indivíduos devem se aceitar mutuamente. Mesmo em 2005, quando
iniciamos o processo, vários fatores externos afetaram este processo,
tais como o levante palestino – a Intifada -, o 11 de setembro de 2001, a
guerra no Afeganistão, a guerra no Iraque, o conflito no Líbano, quando
Israel atacou o país em 2006 e posteriormente o ataque de Israel a
Gaza.
Esta sequência de acontecimentos sempre colocou a Síria sob
pressão externa, isso sem contar com os ataques ideológicos takfiristas,
principalmente por parte da Al Qaeda nas fronteiras sírias. É uma
ideologia contrária à democracia, que só acredita num único modelo e que
não aceita o próximo.
Então, você caminha na direção da reforma,
enquanto forças internas e externas caminham no sentido contrário. É
claro que não é um processo simples e é claro que há responsabilidades,
mas se houver atrasos nas reformas, o Estado é responsabilizado, mas se
apressarmos o processo, todo o país pagará o preço, tanto o povo, quanto
o Estado e suas instituições”.
Quanto à mudança de posicionamento do governo turco, o jornalista disse
que Erdoghan aconselhou o Presidente da Síria, em várias ocasiões, a
levar em frente o processo democrático mas isso não ocorreu, então o
que, de fato, ocorria nos encontros entre os dois? O Presidente Bashar
Al Assad negou que houvesse qualquer tipo de referência às reformas ou à
democracia por parte de Erdoghan antes da crise, “até porque este
assunto não diz respeito à ele.
Mas Erdoghan sempre teve um objetivo
claro para a Síria, que era a volta da Irmandade Muçulmana. Ele atuou
ativamente para alcançar uma conciliação entre a Síria e a Irmandade e
tentou de todas as formas trazê-los de volta à Síria. Ele não enxergava
outra coisa. Quando ocorreram as primeiras manifestações e logo em
seguida houve a anistia dos presos, a única preocupação de Erdoghan era a
libertação de um punhado de seguidores da Irmandade em detrimento dos
outros presos.
Essa é a mentalidade de Erdoghan, uma mente fechada,
estreita, fanática, que não conhece a honestidade, então tudo o que ele
disse não passam de mentiras. Ele tentou dar a entender que quando eles
voltaram à Síria, nós fizemos à ele promessas sobre as reformas. À
título de que? Será ele o sultão e eu o súdito? A Turquia é um país
independente e a Síria é um país independente.
Ele nos fez perguntas,
logo no início da crise, sobre o que estávamos fazendo e nós explicamos,
mas ele nunca falou em democracia e nós nunca fizemos à ele nenhuma
promessa e a única relação que ele tem com a crise na Síria é que ele
apoia o terrorismo. Nós perdemos a confiança nele desde o início da
crise e ficou claro, através das mentiras que ele contou, que ele nunca
foi honesto com a Síria ou com o povo sírio. Essa é a verdade dos
fatos”.
O jornalista perguntou ao Presidente Assad sobre o helicóptero sírio
derrubado recentemente pelas forças turcas nas fronteiras entre os dois
países e sobre a verdadeira versão deste acidente.
O Presidente
esclareceu que “o helicóptero em questão era uma aeronave de
reconhecimento que foi mandada para a zona de fronteira para averiguar a
informação sobre a entrada de grandes grupos de terroristas através das
fronteiras com a Turquia. Este reconhecimento era necessário para que
as forças armadas pudessem optar pela melhor forma de agir em relação à
eles.
Nós anunciamos isso de forma clara e quando a torre de comando
detectou que o helicóptero já havia ultrapassado o espaço aéreo turco
por cerca de 1 km, deu a ordem para que a aeronave retornasse para os
limites aéreos sírios. Fomos surpreendidos com a derrubada do
helicóptero assim que ele retornou ao espaço aéreo sírio. Ele foi
derrubado no espaço aéreo sírio e a prova disso é que quem capturou os
pilotos e os degolou logo em seguida, de forma brutal, foram os
terroristas que estavam em território sírio.
Mas nós não reagimos da
mesma forma que Erdoghan reagiu quando um avião turco foi derrubado em
território sírio, mentindo e argumentando que o avião não ultrapassou os
limites aéreos sírios. Nós fomos transparentes e reconhecemos que a
nossa aeronave ultrapassou os limites turcos.
Eles podiam ter mandado um
aviso e caso a aeronave retornasse, o assunto estaria encerrado. A
derrubada do avião só mostra que Erdoghan quis, desde o início, se
aproveitar do incidente do avião turco para dar a impressão ao povo
turco de que a Síria e a Turquia são inimigos. Ele quer mostrar um
monstro para que o povo turco tenha medo e se una às fileiras da
política de Erdoghan contra s Síria. Ele falhou da primeira vez e falhou
novamente. Esta é a história do helicóptero”.
O jornalista perguntou se o helicóptero foi atingido pelo ar ou por
terra. O Presidente confirmou que foi pelo ar, por parte dos aviões
turcos.
Sobre os refugiados sírios em território turco, o Presidente afirmou que
“eles foram chamados várias vezes para regressar e alguns dos
refugiados no Líbano, na Jordânia e na Turquia atenderam ao chamado e
retornaram. Ao mesmo tempo, existe uma postura terrorista contra estes
refugiados nos países onde eles se encontram, especialmente por parte da
Turquia que os mantêm lá para usa-los como um documento humanitário
contra a Síria.
Se eles voltarem para a Síria, sobre o que o Erdoghan
vai falar? Não restará nenhum documento para que ele possa expor no
cenário internacional ou incitar as Nações Unidas ou as grandes
potências.
Por um lado, esta questão está ligada à estes países, por
outro, grande parte destes refugiados saiu do país por causa dos
terroristas. Existem refugiados que se refugiaram dentro da Síria e
outros fora dela por causa dos atentados terroristas. Para que
regressem, temos que acabar com o terrorismo que existe dentro de suas
terras e vilarejos. Todos os dias nós desejamos o retorno de cada sírio
que esteja fora da Síria”.
O jornalista questionou sobre a possibilidade de restauração das
relações entre a Turquia e a Síria, se elas seriam restauradas enquanto o
Partido da Justiça e Desenvolvimento estiver no poder e quais seriam as
condições para a normalização das relações entre os dois países.
O
Presidente Bashar Al Assad respondeu que “é necessário que sejamos
precisos sobre as relações entre a Síria e a Turquia. Estas relações não
começaram com o Partido da Justiça e sim com o Presidente César. Foi
ele quem deu início à estas relações. Até mesmo quando o Partido da
Justiça ascendeu ao poder, tentamos expandir as relações nos mais
diversos setores.
O Partido da Justiça não resume a Turquia como um
todo. Isso é lógico. Nós temos uma relação popular e tentamos manter uma
relação econômica e uma relação através das fronteiras, longe da
influência do Estado. Ninguém sabe quando se vai um partido na Síria ou
na Turquia e quando a política vai mudar.
Então, o que posso dizer é que
o que fizemos é histórico quanto à restauração das relações populares e
o que acontece atualmente é uma nuvem que passa pelas relações entre a
Síria e a Turquia. Quanto ao Partido da Justiça, creio que ele não
conseguiu afastar o povo sírio do povo turco durante este período e a
consciência do povo turco em relação ao que acontece atualmente na Síria
só tornará mais forte a relação entre os dois países depois de superada
a crise.
Esta crise que vivemos atualmente é uma experiência histórica
que será lembrada pelas futuras gerações, quando o cidadão sírio dirá
que seu irmão turco ficou do seu lado. É fundamental que façamos a
distinção entre o cidadão e a autoridade, especialmente Erdoghan, Oglo e
quem está do lado deles, para estas relações não paguem o preço pelos
erros dos responsáveis. Então eu posso te dar uma resposta: Sim, estas
relações tem como voltar, não somente ao normal mas sim muito melhores.
Quanto à presença ou não do Partido da Justiça no poder, esta decisão
cabe ao povo turco, porque nós respeitamos a opinião do povo turco e não
interferimos em seus assuntos internos.
O que nos interessa é o Estado
que trabalha em prol dos interesses de ambos os povos e não quem faz
parte dele. Baseado nisso nós nos relacionamos com o atual governo.
Supomos agora que seja um governo da Irmandade Muçulmana e nossa
experiência com a Irmandade é muito ruim. Desde os anos 50 até os anos
80, milhares de sírios foram vítimas de sua crença destrutiva e
oportunista. Este governo segue a mesma linha e nós não fomos enganados
quanto à isso, mas dizíamos: Se esta é a opção do povo turco, então
vamos respeita-la”.

O jornalista citou que após o início da crise, vários grupos terroristas
salafistas se instalaram no lado turco da fronteira com a Síria. São
regiões de maioria alauita que vive em estado de tensão por conta da
presença destes salafistas. Poderíamos dizer que esta crise tem uma
natureza doutrinária? Existe uma preocupação quanto à expansão desta
crise?
O Presidente respondeu que “a crise na Síria começou à partir de
proposições sectárias, considerando que este tipo de proposição poderia
desmantelar a sociedade síria através da criação de um conflito entre as
mais diferentes seitas, mas eles falharam. A natureza do povo sírio e
sua história não são baseadas em seitas.
Então, os grupos takfiristas
passaram a matar pessoas de todas as seitas, não se restringindo apenas
às minorias, como foi dito logo no início e como foi colocado pelos
meios de comunicação, tanto turcos quanto regionais, árabes e
ocidentais.
Eles mataram gente de todas as seitas. Por isso eu não
acredito que a questão seja sectária, especialmente quando o Estado e a
sociedade estão cientes disso e falam partindo sempre de uma lógica
nacional. O problema está na Turquia.
Vocês são nossos vizinhos e nós
acompanhamos os detalhes do que vem ocorrendo na Turquia, porque o que
afeta a Turquia nos afeta também. O problema de vocês não está ligado ao
terrorismo, porque o terrorista matará qualquer turco, independente de
sua seita. O problema de vocês está no discurso sectário adotado pelo
próprio presidente.
Eu nunca ouvi uma autoridade utilizar esta lógica,
mesmo que acredite nela. Qualquer autoridade deve falar baseado na
lógica nacional. É a primeira vez que eu vejo uma autoridade que fala às
pessoas discriminando-as conforme suas seitas e seus credos. Este é o
verdadeiro perigo para a Turquia.
O Erdoghan apoia os grupos extremistas
na Síria, então a Turquia será afetada direta e indiretamente por eles.
Mas o perigo de Erdoghan está nele mesmo e em seu discurso e talvez ele
seja mais perigoso que os próprios grupos terroristas. É isso que nos
preocupa na Turquia, o discurso de seu presidente”.
Sobre a ida do Presidente do Irã, Hassan Rowhani, aos Estados Unidos,
seu encontro com Obama e o reflexo desta visita para a solução da crise
na Síria, o Presidente Assad respondeu que o reflexo será positivo, “mas
sob a condição de que os Estados Unidos sejam sinceros nesta
aproximação.
Eu não acredito que algum país do mundo, tanto os
ocidentais, quanto os aliados mais próximos, acreditem que os Estados
Unidos possam ser honestos em qualquer um de seus passos. Acredito que
os iranianos estão bastante cientes disso, mas se houver alguma
aproximação com o Irã, que é um país importante para a região, tanto
para a questão síria, quanto para qualquer outra questão e para a
estabilidade, isso se refletirá de forma positiva para a Síria.
É por
isso que vemos esta aproximação de forma positiva. Mas temos muitas
dúvidas quanto às intenções dos Estados Unidos, especialmente do que
concerne ao respeito à soberania dos países com os quais lida.
O
problema é que os Estados Unidos se habituaram a lidar com seus agentes,
que recebem e cumprem suas ordens sem discutir, mesmo que esta ordem
seja contrária aos interesses do povo daquele país. O Irã não é um
desses países, então como será esta relação? Eu desconfio que os Estados
Unidos aceitem um país que tem orgulho de sua civilização, de sua
história, de seus avanços e que se respeita como um Estado iraniano”.
Seguindo na mesma questão da confiança, o jornalista ressaltou que havia
uma relação de confiança entre a Síria e a Turquia antes da crise e que
esta confiança ficou abalada por conta da posição hostil de Erdoghan em
relação à Síria. O jornalista perguntou se houve decepção em relação à
sua posição com Erdoghan e se há arrependimento em ter mantido estas
relações com ele. O Presidente disse que não houve nenhuma surpresa com o
que Erdoghan fez em relação à Síria.
“Como eu disse, a base do
pensamento de Erdoghan é a base da Irmandade Muçulmana e o histórico da
Irmandade Muçulmana é um histórico de oportunismo. Por outro lado, nós
nunca nos enganamos sobre a verdadeira face de Erdoghan porque em mais
de uma oportunidade ficou claro para nós o seu oportunismo. Mas num
contexto geral, nós o tratávamos como o presidente de um país grande,
vizinho e importante para nós.
É claro que alguns pontos não estavam
claros ou mais especificamente, não esperávamos que o seu oportunismo
chegasse à este nível de desumanidade, de hipocrisia e de bitolação”.
O
Presidente acrescentou: “Quando você lida com a mentalidade da Irmandade
Muçulmana, este é o resultado natural, porque estamos falando de uma
experiência que vem se arrastando desde a década de 50, ou seja, por
mais de 60 anos, então não é nenhuma surpresa para nós.
É claro que a
relação pessoal não tem nenhum peso porque entra um e sai outro, o
importante é como vamos preservar as relações entre a Turquia e a Síria
em nível popular dos reflexos do que o Erdoghan fez na Síria. O povo
turco é um povo irmão e é importante que continuemos agindo desta forma.
Fora isso, não temos nenhuma decepção ou arrependimento”.
O jornalista insistiu que havia uma relação pessoal entre os dois
presidentes, que ultrapassava os limites do protocolo entre dois países,
e perguntou quais eram os pontos em comum entre o Presidente Bashar e o
Presidente Erdoghan, sendo que esta é uma curiosidade tanto do povo
turco quanto do povo sírio, e por que esta relação continuou apesar da
sabida proximidade dele com a Irmandade Muçulmana e suas posições sobre
este assunto.
O Presidente respondeu que é verdade que havia uma relação
pessoal, mas que “nós, como pessoas do Oriente Médio, acabamos nos
envolvendo nestas relações pessoais e tentamos, em nível oficial, fazer
uso destas relações pessoais para servir aos interesses dos nossos
países.
Era isso que supunha a relação com Erdoghan em nível pessoal.
Quanto à sua pergunta sobre o lado humano, o lado ético, como uma pessoa
pode se transformar de irmão em inimigo? Como uma pessoa que fala sobre
seus irmãos sírios e que, aparentemente, bateu de frente com Israel
para defender o povo palestino, pode se transformar assim numa pessoa
que apoia o terrorismo que matou milhares de sírios? Em nível pessoal,
isso só mostra que ele não é uma pessoa normal.
O ponto mais importante
que todos devem saber e que o povo turco já sabe é que Erdoghan é um
fanático. É isso que ele é, falando de forma transparente, já que você
quer saber do lado pessoal. Normalmente, eu não dou importância à este
aspecto, mas se o lado turco quer conhecê-lo, posso dizer que ele é um
desequilibrado, que não tem um nível mínimo de ética.
Se ele tivesse o
mínimo de ética e se houvesse algum desentendimento com alguém, ele
poderia se afastar e manter isso no nível pessoal, mas qual é a culpa do
povo sírio nisso? Acredito que ele é uma mistura de problemas pessoais e
da crença na doutrina da Irmandade Muçulmana”.
Quanto à questão dos curdos na Síria e a posição do governo em relação
ao partido curdo e a posição do partido curdo em relação ao governo e se
este partido apoia ou não a Al Qaeda, o Presidente deixou claro que
“devido aos ataques dos grupos terroristas apoiados pelos países
vizinhos, por países árabes e potências ocidentais, alguns vilarejos
onde não havia exército ou forças de segurança, foram obrigados a formar
grupos armados para defender suas cidades e vilarejos.
Este é o caso
dos curdos que vivem na Síria. Eles estavam se defendendo como todos os
cidadãos sírios, até porque eles adotaram uma posição decisiva de se
posicionar do lado da pátria e do Estado para combater os terroristas.
Eu acredito que os curdos estejam defendendo suas áreas e estão
cumprindo com seu dever cívico. Não há como correlacionar esta postura
com a posição de um partido. Não é uma questão partidária e não tem
relação com a ligação destas pessoas com o Partido Trabalhista do
Curdistão.
É uma questão popular pertinente aos curdos, assim como é
para todos os setores da sociedade síria. Isso não significa que a Síria
quer voltar ao passado para ver seus irmãos turcos morrendo nos
combates entre o exército turco e os curdos. Para enfrentarmos o
terrorismo, estamos contando com todos os setores e com qualquer grupo
que queira defender a pátria, incluindo os curdos, seus partidos e suas
divisões”.
Sobre as reivindicações dos curdos para ter um Estado independente, o
Presidente disse que esta crise mostrou o patriotismo dos curdos da
Síria e a posição deles deve ser levada em conta em qualquer sistema
político futuro e isso não depende da posição de um presidente ou um
governo e sim da união das forças sírias, que devem se sentar à mesa
para discutir um futuro sistema político para a Síria. “Seja qual for o
sistema proposto, seja ele uma federação, uma confederação, um sistema
presidencial ou parlamentar, ele deve respeitar a constituição aprovada
pelos sírios.
Este assunto não está sendo discutido agora na Síria
porque todos os sírios estão ocupados defendendo seu país. Ele só é
discutido na imprensa. Enquanto não nos livrarmos do terrorismo, esta
conversa não tem sentido. Existe um consenso na Síria entre todas as
correntes políticas, populares, étnicas e religiosas sobre este assunto.
E tudo está ligado à visão comum do povo sírio.
Eu não posso, aqui, em
algumas palavras, resumir o que pensa o povo sírio. Nós ainda não
conversamos sobre isso. Mas creio que se a Síria superar esta crise, ela
alcançará uma unidade nacional muito mais forte do que a previamente
existente, em consequência dos acontecimentos que provaram o
nacionalismo dos curdos”.
O jornalista se referiu à presença do Hezbollah na Síria e perguntou
sobre sua participação nos confrontos, sua efetividade e sobre o volume
do apoio militar dado pelo Hezbollah à Síria e como é esta presença em
território sírio. O Presidente Bashar respondeu com outro
questionamento: “Supomos que todo o efetivo do Hezbollah venha para a
Síria. Qual é o efetivo do Hezbollah em relação ao Líbano? E qual é o
tamanho do Líbano em relação à Síria? Vou mencionar uma porcentagem: A
Província de Homs, vizinha do Líbano, tem o dobro da área do Líbano.
Então qual é a lógica em dizer que o Hezbollah é uma presença na Síria. É
impossível. Mesmo que ele quisesse ou mesmo que nós quiséssemos. O
Hezbollah esteve presente nas fronteiras entre o Líbano e Homs, quando
houve um ataque dentro dos territórios libaneses através da fronteira
com Homs, durante uma ofensiva dos terroristas aos territórios libaneses
por considerarem que este partido está ao lado da Síria ou porque
alguns membros dele na região apoiam a Síria. Esta situação perdurou por
um ano e o Hezbollah tinha que revidar estes ataques.
Havia também uma
cooperação entre a Síria e o Hezbollah para acabar com os terroristas
naquela região. Tivemos sucesso nesta missão. Quanto às relações
militares entre a Síria e o Hezbollah ou entre a Síria e o Irã, como
sempre é mencionado, estas são relações antigas. Não há nada de novo
nisso.
Nós sempre trocamos visitas, cooperamos e trocamos experiências.
Isso é natural porque o nosso inimigo é um só: Israel, que ocupa os
territórios sírios e ataca o Líbano ao mesmo tempo. É claro que houve
presença, mas numa área limitada, como forma de autodefesa e nós
defendemos o nosso lado para proteger os cidadãos sírios”.
O jornalista perguntou pelo número de presos políticos, acadêmicos,
deputados, jornalistas e estudantes e sobre quantas decisões de pena
máxima o Presidente assinou. Também perguntou se ele se considera um
ditador. Ele disse: “Como você vive na Turquia, se formos nos comparar à
Turquia de Erdoghan, então não existe comparação.
Conforme a avaliação de uma organização que mede a liberdade de
imprensa, a Turquia é hoje a maior prisão do mundo para os jornalistas.
Nós não temos isso na Síria e nunca tivemos. Nós não temos casos de
assassinatos de jornalistas e nem de aplicação de pena máxima para
pessoas que expressaram alguma visão política.
Até mesmo para a
Irmandade Muçulmana, que teve seus membros executados, conforme uma
resolução de 1980, por cometerem atos que ceifaram a vida de inocentes
na Síria. Nenhum caso em absoluto.
Quanto a presos políticos por causa
de suas visões políticas, posso afirmar que na Síria temos uma oposição
que ataca o governo constantemente. Então por que não colocamos toda
essa oposição na cadeia? Não seria lógico prendermos alguns e deixarmos
outros. Nós temos uma lei muito clara e só vai preso quem contraria a
lei. A oposição existe de forma declarada e vocês podem ir até lá e se
encontrar com ela, ouvir suas visões e suas propostas”.
Perguntado se o Partido Baath obteve sucesso em seu projeto cívico,
nacional e ideológico após três anos de resistência do exército e do
povo sírio, o Presidente Assad disse que são inúmeros os motivos, mas
antes mesmo da unidade do exército vem a unidade do povo, porque sem um
povo unido o exército não se manteria unido.
“Nosso povo tem esta crença,
uma crença nacional e cívica. O primeiro motivo é a consciência do povo
sírio, o patriotismo do povo sírio e sua abertura em qualquer
sociedade, apesar de todas as dificuldades que a Síria vem atravessando a
mais de uma década. Em segundo lugar o exército, que teve, sem dúvida,
um papel fundamental na manutenção da unidade dos territórios sírios até
agora, sua resistência e o enfrentamento, ao lado do povo sírio, dos
ataques terroristas vindos do exterior.
Existe outro aspecto: esta
batalha não é que foi divulgado, ou seja, não é pela presidência ou pelo
cargo. Nenhuma batalha dura por mais de dois anos e meio por causa de
um cargo ou por causa do interesse de um grupo. Neste caso, uma pessoa
vai embora e entra outra no lugar e a questão estará resolvida.
Todos já
estenderam este conflito, minha posição como Presidente e a posição do
Estado na defesa da unidade territorial da Síria. Especialmente porque,
no início, houve uma conjectura de que os territórios seriam
desmantelados para formar três ou quatro pequenos países, então os
sírios se uniram para defender sua unidade territorial. Estes são os
principais motivos”.
Quanto às recentes manifestações populares na Turquia, iniciadas no mês
de junho, o Presidente Assad disse que acompanhou as manifestações com
atenção e que elas são um indício da rejeição do povo turco ao governo e
ao chefe de governo e suas mentiras, que em alguns aspectos estão
relacionadas à Síria.
E Acrescentou: “Não podemos dizer que este levante
popular está relacionado somente ao que ocorre na Síria ou à política
externa do país. Nem podemos dizer que se refere apenas à questões
internas que tratam do próprio quintal de casa. Foi uma mistura entre os
dois assuntos e um indício, para nós sírios, sobre a orientação do povo
turco da qual falamos anteriormente.
Sobre o futuro da Síria caso a crise venha a ser superada, o Presidente
Assad disse que espera para o futuro uma maior unidade e uma maior
consciência por parte do povo e disse estar otimista em relação à esta
questão. O Presidente ressaltou que esta pergunta parte da ideia sobre
qual o melhor sistema político para a Síria, baseado em sua
composição social ou na situação política em que vive, principalmente no
que se refere ao conflito com Israel e a não devolução dos territórios
até agora. “Existem muitos aspectos que irão definir o melhor sistema
político para a Síria, porque quando você tem territórios ocupados e
conflito militar é diferente de quando você vive numa situação de paz.
Existem muitas ideias que estão sendo discutidas, mas creio que o melhor
é o que convém ao povo sírio, é o consenso do povo sírio. A essência
deste sistema deve ser a ampla participação dos sírios na construção do
Estado e na tomada de decisões. Este é o princípio básico”.
Perguntado se continuará na presidência, ele respondeu que se sentir que
o povo sírio quer que ele fique, ele se candidatará. Se a resposta for
não, não se candidatará. “Não existe problema nesta questão. Já estamos
no décimo mês do ano. Creio que em quatro ou cinco meses, teremos um
cenário mais claro quanto à mim, mas hoje, diante das mudanças e da
atual conjuntura, é difícil dar uma resposta precisa. Não terei dúvidas
quando eu perceber que as coisas estão caminhando na direção da vontade
popular”.
O jornalista disse que há uma curiosidade sobre Maher Al Assad, irmão do
Presidente, porque existem boatos de que ele estaria morto, enquanto
outros afirmam o contrário. O Presidente Assad respondeu que todos os
tipos de boatos sobre a sua família já foram disseminados durante a
crise. “São mentiras sem nenhuma base. Nós aqui na Síria temos um ditado
e talvez seja usado na Turquia também: Onde há fumaça, há fogo. Neste
caso era fumaça sem fogo. Sim, ele está vivo, trabalhando e com saúde”.
Quanto à rotina pessoal do Presidente e sua família e o quanto a crise
tem o afetado, ele disse que “a crise na Síria tem sido muito dura e
afetou todos os lares. Afetou as construções das casas e portanto as
famílias que nelas viviam, afetou pessoas, perdemos pessoas que amamos,
familiares, vizinhos, amigos, afetou a qualidade de vida e aumentou a
pobreza na Síria. Nos afetou psicologicamente. Praticamente não existe
nenhuma casa na Síria que não tenha sido afetada de uma forma ou de
outra.
Na prática, hoje você não vê nenhuma alegria nas casas. A alegria
não tem mais lugar na Síria. A tristeza tomou conta de todos nós. Isso
certamente afeta qualquer família.
Existe uma grande diferença entre uma
família que vive numa situação alegre e uma família que vive numa
situação triste. Nossa família foi afetada, assim como todas as outras
famílias. Não há dúvidas de que o terrorismo diário, o lançamento de
foguetes em bairros residências, a possibilidade de haver explosões e
assassinatos afetou a movimentação das pessoas e as relações sociais.
Nós também fomos afetados. Mas existem coisas fundamentais que não devem
mudar, ou melhor, que temos que tentar não mudar: Em primeiro lugar o
trabalho para qualquer família síria, em segundo lugar a relação
familiar e talvez a atual situação leve as pessoas a fortalecer seus
laços familiares e a manter um diálogo.
Talvez estes acontecimentos
sejam o impulso para que cada pai e cada mãe mantenham uma relação mais
próxima com seus filhos, para protegê-los das coisas erradas que foram a
causa do início da crise na Síria e que abriu as portas para a entrada
dos fatores externos. Em qualquer situação, sempre há o lado negativo e o
lado positivo. Temos que pensar na lição positiva que devemos aprender
com esta crise. Este é meu pensamento”.
O jornalista disse que veio da Turquia carregando uma mensagem de paz e
qual seria a mensagem de paz do Presidente ao povo turco. O Presidente
disse:” Gostaria de cumprimentar o povo turco através do Canal Halk e do
Jornal Yurt e expressar minha consideração por tamanha consciência.
Porque não se trata apenas de uma posição, pois se as coisas tivessem
tomado outro rumo, mudariam a história da região. Quando permitimos às
grandes potências, à cerca de 100 anos, que nos influenciassem como
povos, tivemos um conflito que se estendeu por mais de oito décadas. O
conflito não tem significado e não tem base.
O que conquistamos nos
últimos 13 anos, desde a visita do Presidente César à Síria até o início
da crise, é um fato histórico. Nós, como dois povos na Síria e na
Turquia, temos que continuar nesta linha, sem levar em consideração os
instrumentos do governo. Temos que construir a história e não permitir a
interferência das grandes potências e não permitir líderes que querem
transformar os seus países em veículos para as grandes potências, para
guia-los ao seu bel prazer, não vamos permitir à estes líderes que
estraguem nossas relações.
Por outro lado, quero apresentar meus
cumprimentos ao pessoal da imprensa, à toda a imprensa turca, que teve a
coragem de contar a verdade sobre o que ocorre na Síria. Pela coragem
que tiveram diante da repressão e das ameaças exercidas por Erdoghan
contra os jornalistas. Vocês sabem e nós sabemos que muitos veículos de
imprensa turcos quiseram vir à Síria, mas foram proibidos e ameaçados.
Alguns pagaram o preço sendo presos ou com danos materiais ou coisa
parecida. Também não podemos deixar de mencionar a importância aos atos
dos partidos turcos, encabeçados pelo Partido do Povo, que manteve uma
firme posição, por mais de dois anos e meio, e não se abalaram, mesmo
com todo o dinheiro e o apoio externo que Erdoghan obteve.
Todos eles
foram a expressão do povo turco, por isso estou tranquilo quanto ao
futuro das relações entre a Síria e a Turquia. Esses que estão aí são
figuras passageiras. Erdoghan e Davioglo são só fantasmas. São figuras
passageiras que serão marcadas pelo lado negro da história, como
indivíduos responsáveis pelo derramamento de sangue na região, como
pessoas que quiseram ser marionetes nas mãos das grandes potências,
especialmente os Estados Unidos, apenas para realizar seus interesses ,
mesmo que sejam às custas dos sírios e dos turcos. Se enxergarmos as
coisas desta forma, estaremos no mesmo caminho.
Creio que a Síria e a
Turquia são capazes de construir seu futuro com as próprias mãos e o
futuro da região como um todo”.
Por fim, o jornalista perguntou ao Sr. Presidente como ele se define. O
Presidente disse: “Qualquer crença minha, tanto política ou qualquer
outra, que não esteja de acordo com os interesses do meu país, não
significa nada para mim. É fundamental que haja uma ligação entre as
minhas convicções e a realidade. A realidade muda. Então será que a
realidade mudou de forma contrária aos interesses?
Revolucionário. Para
que as pessoas enxerguem a revolução com outros olhos, eu sou a favor da
mudança radical. Prefiro a mudança radical, mas sem nos desprendermos
do passado. Prefiro a mudança radical mas sem destruirmos o país para
dizermos que fizemos uma mudança radical. A mudança radical não
significa que as coisas tem que acontecer de repente. Ela tem que
ocorrer em etapas. Eu sou a favor das etapas, porque elas permitem que
você avalie o que está fazendo, para que você esteja apto a fazer a
mudança. Eu posso dizer, independente do nome que se dá à isso, que sou
uma pessoa racional e realista”.
Fonte: Boletim de Notícias da Embaixada da República Árabe da Síria - Brasília
GAZETA SANTA CÂNDIDA,JORNAL QUE TEM O QUE FALAR
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