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Nova edição foi
lançada pela
Companhia das
Letras
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"Por que ler Vida, de Paulo Leminski, se sabemos – muitas vezes à exaustão – a biografia de Jesus, Cruz e Sousa, Bashô e Tróstki? A razão é simples - e profunda: conhecer a vida desses personagens através do olhar do poeta brasileiro concretista é, no mínimo, inspirador.
O escritor paranaense apresenta a vida do poeta brasileiro, do escritor japonês, do profeta e do revolucionário russo de origem judaica com o fôlego de um fã curioso, que ecoa em cada porção deles existentes dentro de Leminski.
Os livros, que estavam fora de catálogo e vinham sendo procurados pelo público leitor, já haviam sido reunidos em um único volume pela Editora Saraiva em 1990 e ganham edição repaginada pela Companhia das Letras. Trata-se de quatro biografias que Leminski escreveu para a Coleção Encanto Radical ao longo dos anos 1980. Juntas, na reedição, elas somam 392 páginas.
Sob o olhar poético e crítico de Leminski, as quatro trajetórias diferentes ganham dimensões não experimentadas até mesmo para fãs e estudiosos dos autores. Nas três primeiras partes dedicadas, nesta ordem, a Cruz e Sousa, Bashô e Jesus, o estilo irônico e o domínio da técnica pelo poeta curitibano compõem um formato interessante com trechos e poemas de outros autores. É o caso, por exemplo, da descrição da trajetória de Cruz e Souza:
São biografias que não deixam também de ser ainda uma homenagem do fã convicto do estilo e das verdades que a literatura – ou vida - de tais personagens apresenta. Como quando escreve sobre Bashô:
Podem ser vistas também como uma tentativa de elucidar o passado envolto em versões e dogmas – mais religiosos e menos políticos do que, talvez, gostasse o autor. Antes mesmo de começar a biografia de Jesus, por exemplo, Leminski apresenta uma “carta de intenções”, uma espécie de justificativa. “Este livro é dirigido por vários propósitos. Entre os principais, primeiro, apresentar uma semelhança o mais humana possível desse Jesus, em torno de quem tantas lendas se acumularam, floresta de mitos que impede de ver a árvore.”
Paixão revolucionária. É a quarta e última parte, no entanto, um dos maiores trunfos do livro. Ao narrar a vida de Leon Tróstki, Leminski lança mão de tamanha leveza, profundidade de um amor capaz de nos revelar um pouco dele próprio.
A biografia de Tróstki corre de maneira mais contínua e com menos flertes com a poesia, em meio a um contexto analítico poderoso sobre a formação política e social da Rússia (fruto do “cruzamento com os mongóis e o Império
Bizantino”), assim como o universo em que cresceu Trótksi e seu encontro com Lênin, apesar das diferenças: “...a inteligência de Lênin supera em muito a de Trótski (...) mas a máquina mental e intelectual de Trótski era mais complexa que a de Lênin.”
Não deixa de ser ainda uma aula de história - ou a história de uma revolução marxista -, que só pode ser encabeçada pelos filhos da própria burguesia contra a qual depois lutará. “Como em Lênin, outro bem-nascido (como Mao e Fidel), em Trótski, a revolução vai ser uma paixão intelectual, uma certeza lógica, uma convicção feita de ferro em brasa”, escreve.


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