Oposição estuda alternativas à “pizza”

Pedro Paulo (PT) e Salamuni (PV) consideram ultrajantes os resultados das investigações até agora e pretendem recorrer a outras instâncias. “Estamos seriamente reavaliando nossa permanência nessa espécie de ‘faz de conta’”, disse.
 Há pouco menos de um mês de vencer o prazo – 9 de dezembro - para encerramento dos trabalhos da CPI do Caso Derosso, que deveria apurar as irregularidades nos contratos de publicidade da Câmara Municipal de Curitiba sob a gestão do presidente da Casa, vereador João Cláudio Derosso (PSDB), a oposição já estuda ações alternativas à “pizza” e reconhece que as manobras de adiamento e a falta de seriedade durante todo o processo comprometerão os resultados das investigações.

 “Somos impedidos o tempo todo de avançar nos trabalhos de investigação, nossos requerimentos são negados sumariamente pela maioria e os depoentes mandam mais do que os integrantes da CPI. São eles que determinam como e quando depor e o tempo está passando”, reclama o representante do Partido dos Trabalhadores (PT) na CPI, vereador Pedro Paulo Costa. “Tudo o que se conseguiu fazer foi por força de ação judicial, das liminares que a assessoria jurídica da bancada de oposição conseguiu obter”, disse.

Agora, a oposição recolhe documentos e realiza uma espécie de “acareação” com os depoimentos prestados. A intenção é de entregar esses resultados paralelos ao Ministério Público, a fim de contribuir com as investigações que acontecem por lá. A oposição também deverá se reunir nos próximos dias com o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Fernando Augusto Mello Guimarães, pois foi o relatório do TCE sobre as suspeitas levantadas em torno dos gastos com publicidade na Câmara Municipal, que originou as denúncias de irregularidades. “Estamos reavaliando seriamente nossa permanência nessa espécie de faz de conta que virou a CPI”, desabafou o petista. “Somos minoria na oposição, mas estamos empenhados em uma investigação séria e conclusiva, que aponte resultados. Se a CPI não cumprir de fato seu papel – e tudo aponta para isso -, vamos continuar levando adiante essas denúncias”, disse.

Nesta semana, a CPI do Caso Derosso ouviu um dos donos da agência Visão Publicidade, Adalberto Gelbecke Júnior, empresa responsável pela impressão do jornal “Câmara em Ação”, que custou aos cofres públicos municipais mais de R$ 16,6 milhões entre os anos de 2004 e 2010. O total de despesas do legislativo curitibano com propaganda desde 1999 foi de R$ 62 milhões - incluindo os quase R$ 20 milhões gastos com matérias pagas em 302 jornais, rádios, sites e emissoras de TV entre 2006 e 2010. O segundo dono dessa agência investigada, Luiz Eduardo Turkiewicz, apresentou atestado médico, que o protegeu de prestar depoimento à CPI em outubro. Uma vez que Gelbecke disse por várias vezes à CPI que “não fazia tudo sozinho”, a oposição considera importante ouvir o outro sócio e já solicitou à Procuradoria Jurídica da Câmara que isso aconteça logo, nem que o depoimento tenha de ser coletado em hospital ou sob acompanhamento do médico do empresário.

Na próxima segunda-feira (14), véspera do feriado, está marcado para acontecer na reunião da CPI, às 18h30, o depoimento da mulher de Derosso, Cláudia Queiroz Guedes, ex-servidora da Casa e proprietária da empresa Oficina da Notícia, que movimentou cerca de seis milhões de reais com propaganda institucional da Câmara Municipal durante cinco anos. O próprio presidente João Cláudio Derosso deverá ser ouvido no dia 23 de novembro.

Calhamaço

A oposição também pretende visitar as gráficas que imprimiram o jornal Câmara em Ação a fim de avaliar a capacidade de volume e de produção desse material. “Se isso não for aprovado pela Comissão, pretendemos fazer sozinhos uma visita, como parlamentares e representantes dos interesses da população”, disse o vereador Pedro Paulo. O jornal deveria circular mensalmente na tiragem de 180 mil exemplares e teriam sido impressas 18 edições.

Com uma quantidade de 10 a 20 páginas por edição, a oposição calcula que a gráfica movimentasse em torno de 200 a 400 toneladas de papel com a publicação de um veículo desconhecido dos curitibanos e até mesmo de quem circula na Câmara Municipal, uma vez que não se encontra exemplar disponível nem mesmo na biblioteca do órgão.

Questionado sobre essa movimentação de material, o proprietário da Visão disse à CPI que todos os dias do mês havia ponto de entrega do “folder” na cidade e comparou seu sumiço imediato com a distribuição do jornal Metro, cuja veiculação é de 30 mil exemplares por dia em pontos de maior fluxo de veículos em Curitiba até às 9h da manhã. “Mas o Metro é conhecido e facilmente encontrado na cidade na forma impressa e na internet, em versão digital”, rebateu Pedro Paulo.

 “Também é estranho que uma empresa há mais de 30 anos no mercado, como a Visão, fosse extremamente dependente de uma única carteira e de um único cliente, visto que ela foi à falência com o fim do contrato da Câmara Municipal”, ponderou intrigado o vereador do PT.

Contatos: Pedro Paulo 3350-4689 ou 8503-0286,
com Diego; Jornalista: Thea Tavares (MTb 3207-PR) –
 (41) 9658-7588.

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