Lupi, em público, declara: “Dilma, me desculpe, eu te amo”

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, voltou a pedir desculpas à presidenta Dilma Rousseff por suas declarações na última terça-feira, quando disse que só sairia do ministério “abatido à bala”.

 Eu gosto de fazer o debate, às vezes exagero. Peço desculpas públicas. Eu exagerei, a gente está sob muita pressão. Foi um momento infeliz. Presidenta Dilma, me desculpe, eu te amo – disse.

Segundo o jornal conservador carioca O Globo, na edição desta quinta-feira, as declarações irritaram o Palácio do Planalto, que exigiu uma retratação e praticamente selou sua saída na reforma ministerial, no início do próximo ano.

Lupi participava de audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) da Câmara desde as 10h. O ministro negou veementemente que seu ex-chefe de gabinete Marcelo Panella esteja envolvido em irregularidades na pasta. Ao comentar que eles se conhecem há 25 anos, Lupi disse que não existe “título mais importante que a lealdade”. Por conta disso, aposta seu cargo na inocência do ex-subordinado.

 Não tem possibilidade de o Marcelo estar envolvido em irregularidades – afirmou.

A reunião desta manhã foi motivada por reportagem da revista semanal de ultradireita Veja desta semana. De acordo com a semanal, caciques do PDT comandados por Lupi transformaram órgãos de controle da pasta em instrumento de extorsão. Segundo a revista, o ministério contrata entidades para dar cursos de capacitação profissional, e depois assessores exigem propina de 5% a 15% para resolver ‘pendências’ que eles mesmos criariam.

De acordo com a revista, Marcelo Panella, ex-chefe de gabinete de Carlos Lupi e tesoureiro do PDT, estaria à frente do esquema. Panella nega as acusações.

 Coloco minha função, minha vida por ele – declarou Lupi.

O ministro do Trabalho informou que os convênios são fiscalizados simultaneamente pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela pasta. Segundo Lupi, cada contrato tem sua regra própria e seu acompanhamento.

 Se alguém fez algo no Ministério do Trabalho, é individual e que pague – afirmou, negando as denúncias veiculadas recentemente.

No início da audiência, Lupi criticou a imprensa e as matérias divulgadas, qualificando as reportagens como “vazias”.

Apareça a prova, apresente-se quem levou dinheiro. Eu não compactuo com a corrupção. Quero corruptor e corrupto na cadeia – disse.

A audiência de Lupi, que ainda não terminou, é acompanhada pelos principais líderes governistas na Câmara. Além de uma parte da bancada pedetista, estão presentes os líderes do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), do PT, Paulo Teixeira (SP), e do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN).
Correio do Brasil
 Por Redação, com Congresso em Foco -
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