Pela primeira vez em seis anos, o número de alunos colocados sofreu redução

Europa em dia


                                                             (Daniel Rocha/arquivo)
Foram colocados na primeira opção 58% dos candidatos



Dos dez cursos com nota mais alta de entrada, oito são de Medicina.O número de alunos que conseguiu lugar no ensino superior diminui este ano, o que já não sucedia desde 2005. Foram colocados na 1.ª fase 42243 candidatos, menos 3349 do que em 2010.
Questionado pelo PÚBLICO, o director-geral do Ensino Superior, António Morão Dias, atribuiu esta quebra ao facto de se terem candidatado, na 1.ª fase, menos 5279 alunos. Dos 46.899 que se apresentaram foram colocados 91%, o que constitui a maior percentagem dos últimos anos, frisa.

“Esperamos que o número aumente na 2.ª fase do concurso”, afirma Morão Dias. À 2.ª fase, que decorrerá entre 19 e 30 deste mês, podem candidatar-se não só os alunos que não foram colocados agora, como aqueles que ainda não estavam em condições de o fazer no início do concurso, em Agosto, por não saberem ainda se tinham concluído o ensino secundário. São os estudantes que se apresentaram na segunda fase dos exames nacionais e este ano o seu número aumentou.

Dos que já foram colocados, 62% escolheram o ensino universitário e 38% o ensino politécnico. No primeiro foram colocados 26.321 alunos; no segundo 15.922.

No conjunto foram disponibilizados 53.500 lugares no ensino superior, cerca de mais 100 do que em 2010. Metade dos 1151 cursos existentes no ensino universitário e politécnico esgotaram as vagas na 1.ª fase. Doze cursos não conseguiram atrair nenhum candidato e em 438 o número de colocados foi inferior a 20.

A Universidade do Porto voltou a ser a instituição com maior número de alunos colocados (4130), tendo preenchido 99% das suas vagas. Em segundo e terceiro lugar, no que respeita a número de colocados, ficaram, respectivamente, a Universidade Técnica de Lisboa (3533) e a Universidade de Lisboa (3453). Preencheram 94 e 88% das suas vagas.

As escolas de Enfermagem de Coimbra, Lisboa e Porto ficaram com 100% das suas vagas preenchidas; a escola superior de Hotelaria do Estoril com 99%, a Universidade de Coimbra com 97% e o ISCTE, em Lisboa, com 96%. No outro extremo, o Instituto Politécnico do Tomar apenas preencheu 26% dos 715 lugares que disponibilizou.

Direito à frente

A percentagem de estudantes que consegue ficar no curso que escolheu voltou a aumentar: 58% foram colocados na sua primeira opção, mais três percentuais por comparação com 2010; e 87% tiveram lugar num das suas três primeiras opções. A área de Ciências Sociais, Comércio e Direito volta também a ser a que soma mais novos alunos para o 1.º ano. Mais uma vez o curso de Direito da Universidade de Lisboa foi aquele que disponibilizou mais vagas. Foram 450 e ficaram já todas preenchidas. O curso de Direito da Universidade de Coimbra foi o segundo com mais vagas (330) e estes lugares já estão todos ocupados.

A área de Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção foi a segunda com mais alunos colocados, mas é também aquela que ainda tem mais vagas para preencher. O que já não acontece na área de Saúde e Protecção Social, a terceira mais procurada. Os principais cursos de Medicina esgotaram as vagas na 1.ª fase.
As notas dos últimos colocados nestes cursos oscilaram entre 18,1 e 18,6 (numa escala de 0 a

20). Dos dez cursos com nota mais alta de entrada, oito são de Medicina. Bioengenharia e Arquitectura da Universidade do Porto são os “intrusos” neste top.

Das áreas de classificação dos cursos, Agricultura foi a menos procurada, registando-se apenas 706 entradas, com cerca de 500 vagas a sobrar para a segunda fase. Em 33 cursos, como Ciências da Educação e Formação na Universidade do Algarve ou Gestão da Qualidade na Universidade de Aveiro, as notas dos últimos colocados foram inferiores a 10.
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