por Franklin Lamb

A qualidade de vida continua a decair em determinadas áreas do oeste da Líbia, enquanto a ansiedade do público visivelmente sobe com o desaparecimento de crianças líbias enquanto a primeira semana do Ramadan passa excepcionalmente estressante.
A escassez de gasolina tornou-se aguda e apesar dos esforços do governo para reduzir o preço de aferição, um motorista de táxi disse ontem a este observador que enquanto o preço normal da gasolina de cinco litros (um galão) era por $ 0,40 (quarenta centavos de dólar dos EUA), ele agora está tendo que pagar "4 dinares por um litro de gasolina!" Isso é aproximadamente o equivalente a 13 dólares dos EUA para um galão de gasolina, um aumento de preço enorme em um país acostumado a combustível barato e altamente subsidiado. "A economia informal" de combustível (mercado negro) chega em caminhões tanque da fronteira da Tunísia e é cada vez mais comum ver companheiros com um funil tentando colocar mais gasolina nos tanques de seus veículos e depois ela vaza e derrama nas ruas do bairro.
Caminhando na "Medina", na Rua Omar Muktar, perto do meu hotel, ontem à tarde, a angústia sobre as condições de deterioração é aparente. As Lojas, como casas, estão agora sujeitas a apagões e rapidamente tornam-se quentes e abafadas, desencorajando os que seriam clientes de entrar. Algumas lojas de alimentos têm que descartar o leite e outros produtos perecíveis, dado aos cortes de energia de até 11 horas que aumentam as temperaturas até a 110° Fahrenheit. Um cavalheiro na Rua Rashid, no centro de Trípoli, disse que sua família não tinha luz fazia cinco dias e a bomba que fornece água para seu prédio parou de funcionar assim estavam com carência em dois serviços essenciais.
O ato de pirataria discutível da OTAN no início desta semana se apropriando do combustível do navio petroleiro Cartagena, na costa de Malta, que estava trazendo gasolina para Trípoli e enviando-o ao invés para a milícia rebelde baseada perto de Benghazi é mais uma vez explicada pela OTAN como necessária para "proteger o população civil da Líbia."
De acordo com o Ministro das Relações Exteriores da Líbia Khaled Kaim, "A idade da pirataria está voltando ao Mediterrâneo por causa da OTAN."
Alguns donos de lojas frustrados apenas fecham suas lojas e procuram por alívio na praia ou tiram uma soneca à espera do pôr do sol para começar seus Iftars (quebra de jejum) de Ramadan. Mas a falta de eletricidade afeta até mesmo a sua preparação. (Nota: 15 minutos atrás a OTAN teria bombardeado a praia pública perto do meu hotel enquanto três outras bombas caíram perto - alvos desconhecidos)
Cada vez que uma explosão é ouvida, um coro de transeuntes e as crianças, invariavelmente, se deslocam em direção ao local da explosão e olham a fumaça branca ou preta (a cor, dependendo do tipo de bomba ou míssil) e alguns gritando: "F --- OTAN! F --- Obama!” Etc.
Se um estrangeiro é confrontado por cidadãos irados que podem culpar os americanos pelo bombardeio da OTAN, uma maneira de reduzir rapidamente a tensão da multidão é o estrangeiro fazer o sinal da paz e fazer um punho com a outra mão e cantar algumas vezes: "Allah! Mohammad! Muammar! LÍBIA! É tudo que precisamos! Os locais apreciam o sentimento e os adolescentes muitas vezes se juntam ao canto popular e dançam.
A partir da manhã de 7/8/11 estatísticas da OTAN mostram que, desde 31/3/11, as forças da OTAN lançaram 18.270 ataques, principalmente contra a Líbia Ocidental, incluindo 6.932 ataques com bomba e míssil. Ontem à noite (6/8/11), houve 115 incursões, incluindo 45 ataques, dos quais 12 foram no centro de Trípoli, começando às 22 horas.
Para seu grande prestígio, alguns funcionários do Congresso da Comissão de Serviços Armados do Senado dos EUA, que têm ligação com o Pentágono, têm agido em denúncias constituintes e têm criticado a descrição incompleta da OTAN de seu bombardeio de civis líbios.
Por exemplo, no início desta semana a OTAN anunciou seu bombardeio da aldeia de Zlitan, cerca de 160 quilômetros a leste de Trípoli, nas montanhas ocidentais, como segue: "Na vizinhança de Zlitan: uma instalação de armazenagem de munições, uma instalação militar, dois lançadores múltiplos de foguetes."
No entanto, ainda sem este relatório especial da OTAN em seu site é o fato de que seu ataque a bomba matou a esposa e dois filhos de Naji Mustafa, um professor de física local de Zlitan. A esposa de Mustafa Ibtisam, e seus dois filhos, Mohammad 5 e Muttasim, foram pulverizados. Mais uma vez, a OTAN disse que não poderia confirmar quaisquer pedidos de "mortes acidentais", mas recomendaria uma investigação.
Como ficou evidente uma semana após a Resolução 1973 ser aprovada, a OTAN é o instrumento da política da administração Obama de mudança de regime na Líbia. A OTAN praticamente assumiu o comando dos "rebeldes" e controla funções na guerra civil da Líbia. Esta tarde, o Primeiro-Ministro líbio Baghdadi Mahmoudi afirmou que a maioria das lideranças rebeldes deixou a Líbia e ele desafiou-os a realizar uma reunião durante o Ramadan. Mahmoudi afirma que a OTAN está usando extremistas islâmicos porque eles são mais confiáveis na realização de ordens da OTAN que visa destruir a vontade da população civil em resistir, semelhante à campanha de bombardeios de Israel contra a população civil do Líbano durante a guerra de julho de 2006.
Onde estão as crianças?
Também da crescente preocupação pública e do governo na região oeste da Líbia é o paradeiro de 53 mulheres e 52 crianças do sexo masculino com idade entre um a doze anos e outro grupo que variam de doze a dezoito anos, ambos parte de uma casa do governo para órfãos e crianças abusadas, que até fevereiro estava funcionando em Misrata, agora sob controle rebelde. De acordo com vários relatórios ao longo dos últimos três meses e testemunhos apresentados a mídia internacional reunida no Hotel Rexix em Trípoli, na noite da última quinta-feira, pela União Geral de Organizações da Sociedade Civil. ONGs líbias convidaram estrangeiros para uma conferência semana passada buscando por ajuda para achar as 105 crianças desaparecidas de Misrata.

As 105 crianças, parte das mais de 1.000 desaparecidas, foram "sequestradas" pelas forças rebeldes que entravam em Misrata e foi uma matança, algumas das quais foram documentadas pela Human Rights Watch e Anistia Internacional, entre outros grupos. Não há dúvida de que as crianças não estão mais abrigadas em suas instalações. Mas a partir daí o que aconteceu com elas permanece um mistério.
O governo líbio afirma que os jovens foram sequestrados por rebeldes que participaram em um tumulto no final de fevereiro. Vários relatos de testemunhas oculares afirmam que as crianças foram vistas pela última vez sendo colocadas ou em um barco turco, ou italiano, ou francês. Mais do que uma testemunha alegou terem visto algumas das crianças estarem sendo vendidas na Tunísia. Na sua página do tweeter, o repórter local russo da Telesur disse que "várias fontes afirmaram que as 105 crianças foram levadas para fora do país em um navio que poderia ser turco, francês ou italiano."
O Ministro líbio de Assuntos Sociais Ibrahim Sharif disse a jornalistas em Trípoli esta semana que, "Nós queremos a verdade e julgamos esses países responsáveis pelo bem-estar dessas crianças que não são nem soldados, nem combatentes." Sharif acrescentou que um médico rebelde capturado pelas tropas do governo declarou que alguns dos órfãos haviam sido levados para França e Itália.
A história de Misrata como o principal porto de comércio de escravos do norte da África nos séculos 18 e 19 é um fato que hoje explica parcialmente as tensões entre os um terço da população da Líbia que são negros. A maioria é descendente dos escravos e muitos vivem no oeste da Líbia em aldeias agora lutando contra os rebeldes baseados em Misrata e Benghazi. Sua preocupação com as crianças desaparecidas é especialmente aguda.
Enquanto a Líbia teve, talvez, as leis mais estritas aplicadas à proteção da criança no Oriente Médio e África, as pessoas se lembram claramente que a França esteva no centro de um escândalo em 2007 quando trabalhadores de ajuda humanitária da instituição de caridade Zoe´s Ark tentarem voar com 103 crianças para fora do Chade, que faz fronteira com a Líbia ao sul, eles disseram que eram órfãos do vizinho Sudão. O pessoal de ajuda internacional descobriu mais tarde que as crianças eram de fato do Chade e tinham pelo menos um dos pais vivos. As pessoas aqui temem um destino semelhante para os jovens da Líbia.
Também está na mente das pessoas na Líbia o que aconteceu a dois anos no Haiti quando "órfãos", de acordo com autoridades locais, foram sequestrados. Dada a epidemia de tráfico de seres humanos nesta região, especialmente de crianças, os medos têm fundamento.
A OTAN não respondeu aos pedidos exigindo informações sobre as crianças desaparecidas, nem a UNICEF, Save the Children ou o escritório da Secretária de Estado de Clinton. O Congressista de Ohio, Dennis Kucinich, concordou em exigir que a Casa Branca ordene uma investigação imediata e é claro qualquer defensor dos direitos humanos poderia levantar esta questão no Ocidente e exigir uma investigação urgente de seu governo.
O governo da Líbia assim como o representante romano católico papal Bispo Giovanni Martinelli e o Padre Daoud da Igreja Anglicana de Cristo Rei, em Trípoli, exigiram que as Nações Unidas investiguem e encontrem as crianças.
Quanto ao Conselho Nacional de Transição, seu porta-voz negou as acusações de que eles venderam as crianças e alegam que o governo líbio em Trípoli está com todas as crianças e que estão usando-os como escudos humanos no bombardeio de cinco vezes até agora de Bab al Azizya, complexo na região central Trípoli. Nenhuma organização de direitos humanos ou jornalista que investigou esta alegação relatou ter visto qualquer sinal de que há crianças em Bab al Azizya. A União Geral mencionada acima tem fotos e nomes e idades de todas as crianças desaparecidas e têm amplamente divulgado-as.
Mais de uma dúzia de organizações de assistência social, grupos de mulheres e sindicatos de advogados da Líbia lançaram uma campanha de mídia intensiva e uma campanha de envolvimento do público para encontrar as crianças que agora estão desaparecidas há quase seis meses.

Franklin Lamb está na Líbia 

GAZETA DO SANTA CÂNDIDA, JORNAL QUE TÊM O QUE FALAR

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