segunda-feira, 13 de junho de 2016

A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA DE DILMA QUE MICHEL TEMER QUERIA CENSURAR

Não houve pauta que tenha ficado de fora. Cunha, Temer, Aécio, impeachment, novas eleições e futuro do Brasil. Confira a íntegra da entrevista de Dilma Rousseff para a TV Brasil



Em entrevista concedida à TV Brasil (assista abaixo), emissora estatal que pertence ao grupo EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e é pivô de uma disputa de poder entre Dilma Rousseff e Michel Temer, a presidente afastada declarou que a gestão de seu vice e chefe de Estado interino está submetida à pauta do deputado Eduardo Cunha (PMDB), afastado há cerca de um mês da Presidência da Câmara e réu na Operação Lava Jato.

Segundo Dilma, que reclamou da impossibilidade de negociar com a Câmara, Cunha impõe suas vontades desde que foi eleito líder do PMDB na Casa, em 2013.

De acordo com interlocutores, o presidente interino Michel Temer, que exonerou diversos funcionários da EBC quando assumiu, incluindo o presidente da empresa, tentou evitar, sem sucesso, a realização da entrevista com a presidente eleita.

A entrevista, gravada, foi conduzida pelo jornalista Luís Nassif, justamente um dos funcionários que teve o contrato cancelado com a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) depois da posse temporária de Temer.

Na primeira chamada para o intervalo, o jornalista afirma que no próximo bloco se dedicará a discutir o golpe que afastou a presidente.

Instantes antes, no final do primeiro bloco da entrevista, Dilma criticou nominalmente o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), adversário por ela derrotado na corrida presidencial de 2014.

Para a petista, Aécio e seus correligionários ainda não se conformaram com o resultado das urnas.

“A reação de meu adversário foi bastante atípica em relação ao que vinha ocorrendo no Brasil. Ninguém pediu recontagem de votos. Ele pediu. Ninguém pediu auditoria nas urnas eletrônicas, ele pediu. Depois, eu tinha de ser diplomada no início de dezembro, e eles entram no TSE [Tribunal Superior Eleitoral] alegando que minha campanha tinha problemas e eu não poderia ser diplomada”, reclamou a presidente afastada.

Dilma afirmou que Eduardo Cunha só deu andamento ao processo de impeachment na Câmara por vingança. Ela lembrou que, em dezembro do ano passado, os três deputados do PT membros do Conselho de Ética haviam declararam voto a favor do processo de cassação que o peemedebista enfrenta por ter mentido à CPI da Petrobras, segundo a acusação, sobre contas que omitiu da Receita Federal no exterior. O posicionamento dos deputados contra Cunha foi o estopim para que ele avalizasse o impeachment, afirmou Dilma.

“Ele fez isso de forma pública. No dia em que não aceita os três votos [petistas], o próprio Miguel Reale [Júnior] diz: ‘Trata-se de uma chantagem explícita’”, rememorou a presidente afastada, mencionando declaração do jurista que subscreve a denúncia por crime de responsabilidade que deu origem ao processo.

Assista a íntegra abaixo:

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