A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos é um duro golpe no bolsonarismo. Confirma, mais uma vez, que a valentia familiar sempre foi uma encenação.
Alexandre de Moraes tinha razões de sobra para desconfiar do senador e impor medidas cautelares. O episódio expõe a decadência de um movimento que transformou a política em negócio de família.
O ex-capitão foi um presidente desastroso. Na pandemia, desprezou a ciência, atacou vacinas, sabotou medidas sanitárias e contribuiu para uma tragédia humana.
Na administração, foi incompetente e incapaz de apresentar um projeto consistente. Entregou-se ao Centrão, loteou o governo e utilizou o orçamento secreto para garantir apoio parlamentar.
O discurso contra a velha política terminou numa aliança promíscua com tudo aquilo que dizia combater.
Derrotado em 2022, não teve a grandeza de reconhecer o resultado das urnas. Preferiu desacreditar o sistema eleitoral e conspirar para permanecer no poder.
Sua condenação por tentativa de golpe revelou a verdadeira natureza de um projeto autoritário, disposto a atropelar a democracia para satisfazer a ambição de um homem.
A escolha de seu filho Zero Um como candidato foi a expressão mais grotesca desse patrimonialismo.
Após mais de duas décadas no Parlamento, Flávio não construiu liderança nacional nem apresentou credenciais para governar o país.
Seu histórico inclui o escândalo das rachadinhas, as movimentações financeiras de Fabrício Queiroz, as controvérsias sobre imóveis comprados com dinheiro vivo e relações políticas com personagens ligados ao universo miliciano.
São questões que exigem explicações, não a habitual vitimização.
Incapaz de construir uma alternativa fora da família, Jair Bolsonaro tentou transformar a Presidência em herança.
Após a fuga, os aliados começam a perceber que o sobrenome pode ser um passivo eleitoral.
Tarcísio de Freitas e outros nomes da direita já ensaiam caminhos próprios, sem a tutela dos Bolsonaro.
O bolsonarismo não morreu, mas está ferido, desmoralizado e dividido. Ainda tem eleitores e estrutura partidária, mas perdeu a aura de invencibilidade.
Seu líder está condenado, seu herdeiro político protagonizou uma fuga constrangedora e seus aliados começam a procurar alternativas.
A família que apregoava patriotismo demonstra pouco compromisso quando precisa responder por seus próprios atos.
Muito discurso de moralidade, ordem e coragem; na prática, oportunismo, autoritarismo e apego ao poder.
A República, felizmente, não é propriedade dos Bolsonaro. É do povo.
GAZETA SANTA CÂNDIDA, JORNAL QUE TEM O QUE FALAR
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