SAMBA RESISTE E REAGE A ATAQUES POLITÍCOS EM CURTIBA

Foto: Ricardo Marajó/SMCS

Brasil - O portal da cultura brasileira --Audiência pública na Câmara expõe disputa cultural e mobiliza frente em defesa do carnaval 

O encontro, realizado na noite de quarta-feira (1º) na Câmara Municipal, foi convocado pelo vereador Angelo Vanhoni e reuniu parlamentares, produtores culturais, sambistas e representantes de blocos e escolas de samba da cidade. Foi um momento marcante na reunião que reuniu sambistas, representantes das escolas, músicos e agentes culturais, promovendo um diálogo essencial sobre o fortalecimento do samba, do carnaval e das políticas culturais em nossa cidade. 

Fotos: Ricardo Marajó/SMCS
 
Pressão política e disputa de narrativas

 A audiência foi motivada por uma sequência de episódios recentes que acenderam o alerta no setor cultural. Entre eles, destaca-se a retomada da proposta do vereador Eder Borges, de perfil alinhado à extrema direita, que prevê a retirada de recursos públicos destinados ao carnaval — medida considerada inconstitucional por membros da própria Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Os vereadores Camila Gonda e Lorens Nogueira, integrantes da comissão, já se manifestaram favoravelmente ao arquivamento da proposta, posicionamento que ganha força com a atuação firme de Giorgia Prates (Mandata Preta) e da Professora Angela. Além disso, outro episódio gerou forte reação: uma audiência realizada na Assembleia Legislativa, organizada pelo deputado Tito, que promoveu o “carnaval rock” em contraposição ao carnaval de samba. Para os participantes da reunião na Câmara, a iniciativa representa uma tentativa de deslegitimar manifestações tradicionais da cultura popular. 

Cultura popular em defesa

Durante a audiência, vereadores presentes, representantes da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) — incluindo Jaciel — e integrantes de blocos e escolas de samba relataram dificuldades históricas enfrentadas pelo setor, agravadas pelo atual cenário político. A audiência pública foi marcada por uma presença expressiva e combativa de valorosos companheiros e companheiras que fizeram uso da palavra com firmeza e consciência histórica. Entre as vozes que ecoaram em defesa da cultura popular estiveram Alexandre Vieira, Jay Ferreira, Vlad Urban, Jefferson Pires — presidente da Liga das Escolas de Samba de Curitiba —, Léo Fé, presidente do Bloco Boca Negra, e Adriano Esturilho, presidente do SATED/PR, entre tantos outros que reafirmaram, com orgulho, seu compromisso com o samba e as tradições carnavalescas da cidade. Em um momento de tensionamento político e cultural, suas falas não apenas denunciaram as tentativas de desvalorização e retirada de recursos do carnaval de rua, mas também reforçaram a importância dessa manifestação como patrimônio vivo, espaço de resistência e expressão legítima do povo curitibano. Foi uma demonstração clara de unidade, coragem e amor à cultura popular, evidenciando que o samba segue pulsando forte e organizado, pronto para defender seu lugar no coração e nas ruas de Curitiba. As falas destacaram um ponto em comum: a percepção de uma tentativa recorrente de apagamento da cultura popular, especialmente do samba, por meio de discursos que questionam seu valor cultural e social. O espaço também foi aberto ao público, reforçando o caráter coletivo da mobilização. 

 Encaminhamentos: reação organizada 

-Como resposta, foram definidos encaminhamentos concretos: Elaboração de uma carta-manifesto por cada entidade presente, destacando a importância do carnaval e denunciando tentativas de apagamento cultural Repúdio formal à proposta de Eder Borges e à sua continuidade na CCJ Organização de um evento de batucada, reunindo blocos e escolas de samba como forma de ocupação cultural e resistência 

Um sambódromo para Curitiba? 

A reunião também foi marcada por um momento de forte emoção protagonizado pelo jornalista e compositor Cláudio Ribeiro, que retomou uma proposta defendida há anos por ele: a construção de um sambódromo em Curitiba. A ideia prevê a criação de um complexo cultural permanente, possivelmente na região da Vila Capanema, atrás do estádio do Paraná Clube. O projeto vai além dos desfiles e inclui: - Espaços para ensaios e oficinas. - Auditórios e áreas de formação cultural. - Um museu dedicado ao carnaval curitibano. A proposta também sugere homenagear o espaço com o nome de “Sambódromo Ismael Cordeiro – Mestre Maé”, referência histórica do samba local.

 Entre custo e investimento cultural 

Embora a construção de um sambódromo envolva altos custos, participantes da audiência defenderam que o debate precisa ser reposicionado: não como gasto, mas como investimento estratégico. A ausência histórica de infraestrutura adequada para o carnaval em Curitiba foi apontada como um dos principais entraves para o crescimento da festa. Sem espaço fixo, escolas e blocos enfrentam dificuldades logísticas e financeiras que limitam seu desenvolvimento. Experiências em outras cidades mostram que equipamentos culturais desse tipo podem impulsionar: - Turismo. - Economia criativa. - Geração de emprego e renda. --------

O caminho possível 

Entre os participantes, há consenso de que a construção de um sambódromo deve seguir etapas: - Reconhecimento do carnaval como política pública permanente. - Criação de um centro cultural do samba em menor escala. - Expansão futura para um sambódromo completo . 

- Direito à cultura em disputa  

Mais do que um embate pontual, a audiência evidenciou uma disputa mais ampla: o reconhecimento do samba e do carnaval como parte legítima da identidade curitibana. Ao levar o tema ao Legislativo, a Frente Parlamentar do Samba, do Carnaval e das Políticas Culturais transforma reivindicações históricas em pauta institucional — e sinaliza que, diante dos ataques, o setor está disposto a responder com organização, presença e tambor. Porque, em Curitiba, o samba não recua — ele resiste. 
(Fotos: Ricardo Marajó/SMCS)

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