08/03, DIA INTENACIONAL DA MULHER: 17 MULHERES PIONEIRAS QUE DEVEM SER LEMBRADAS NAS ESCOLAS

Reconhecer e aprender sobre as trajetórias de brasileiras que romperam barreiras

forma gerações mais diversas, críticas e conscientes

São Paulo, 06 de março de 2026 – Ao longo da história, mulheres brasileiras protagonizaram conquistas decisivas - muitas vezes enfrentando desigualdades de gênero, raça e acesso - que marcaram a ciência, a educação, a saúde, a cultura e a vida pública do país; mas que ainda hoje permanecem pouco conhecidas. O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, é uma oportunidade de resgatar essas trajetórias, reforçando a importância de valorizar mulheres pioneiras.

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Para Maria Eugênia D’Elia, orientadora educacional do colégio Progresso Bilíngue Taquaral (Campinas/SP), dar visibilidade a essas mulheres é essencial para inspirar novas gerações. “Quando a escola apresenta exemplos reais de mulheres brasileiras que romperam barreiras e transformaram suas áreas de atuação, ajudamos meninas e meninos a compreenderem que o protagonismo feminino sempre existiu, mas nem sempre foi contado. Valorizar essas pioneiras amplia horizontes, fortalece a autoestima das alunas e contribui para uma educação mais justa, diversa e conectada com a realidade do País”, afirma.

Segundo Maria Eugênia, ensinar essas histórias é uma forma concreta de fomentar a equidade e formar cidadãos mais conscientes do papel das mulheres na construção da sociedade. “Grande parte dessas trajetórias ainda é invisibilizada no ensino formal, o que limita o repertório de referências apresentado aos estudantes. Incluir essas histórias nas escolas não é apenas um ato de reconhecimento, mas uma estratégia pedagógica para ampliar perspectivas, estimular o pensamento crítico e mostrar que o conhecimento é construído por pessoas diversas, em diferentes contextos e realidades”, acrescenta.

A seguir, a orientadora do Progresso Bilíngue elenca mulheres de destaque nas áreas de educação, política, ciência, literatura, artes, saúde, esporte, urbanismo, aviação, jornalismo, diplomacia, forças armadas e movimentos de resistência social e histórica – que merecem ser celebradas e estudadas nas escolas brasileiras.

1. Antonieta de Barros, a primeira deputada estadual negra


Antonieta de Barros (Campos Novos/SC, 1901 – Florianópolis/SC, 1952) foi a primeira mulher negra eleita deputada estadual no Brasil, atuando em Santa Catarina na década de 1930. Em sua trajetória parlamentar, defendeu políticas públicas para educação, direitos das mulheres e inclusão racial. Antes de ingressar na política, destacou-se como educadora e fundadora de jornais voltados à cultura e à cidadania.


2. Bertha Lutz, colaboradora da Carta da ONU


Bertha Lutz (São Paulo/SP, 1894 – Rio de Janeiro/RJ, 1976) foi bióloga, pesquisadora no Museu Nacional e fundadora da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, tendo se destacado na defesa da igualdade de gênero e do acesso à educação e ao trabalho. Foi figura fundamental na luta pelos direitos políticos das mulheres, especialmente na conquista do voto feminino no Brasil. Sua atuação internacional incluiu participação essencial na redação da Carta da ONU em 1945, incorporando a igualdade entre homens e mulheres.


3. Carolina Maria de Jesus, a escritora da favela


A escritora, poetisa e catadora de papel Carolina Maria de Jesus (Sacramento/MG, 14/03/1914 – São Paulo/SP, 13/02/1977) desafiou barreiras de raça, gênero e classe ao transformar sua experiência de vida em literatura afro-brasileira crítica e engajada. Uma das vozes mais importantes da literatura nacional periférica, continua a influenciar gerações de leitores e escritoras no Brasil e no mundo. Sua obra de estreia, “Quarto de despejo: diário de uma favelada” (1960), narra o cotidiano na favela do Canindé e foi traduzida para mais de uma dezena de idiomas, alcançando repercussão internacional.


4. Dandara dos Palmares, símbolo de resistência


Dandara dos Palmares (1654 – 1694) foi uma líder quilombola e guerreira afro-brasileira do século XVII, símbolo da resistência à escravidão no Brasil colonial. Atuou na organização política e militar do Quilombo dos Palmares, destacando-se como estrategista e defensora da liberdade plena, sem concessões ao regime escravocrata. Companheira de Zumbi dos Palmares, liderou combates e ajudou a sustentar a autonomia do quilombo. Sua trajetória a consagrou como ícone da luta negra no país, tendo seu nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.


5. Léa Campos, a primeira árbitra de futebol no mundo


Léa Campos (Abaeté/MG, 1945), formada em arbitragem na década de 1960, tornou-se uma das pioneiras da arbitragem no futebol, enfrentando proibições e preconceitos num período em que mulheres eram impedidas de praticar esportes no Brasil e no mundo. É reconhecida como a primeira mulher árbitra de futebol profissional, símbolo de resistência e igualdade de gênero no esporte, apitando partidas nacionais e representando o Brasil no exterior.


6. Lota de Macedo Soares, a pioneira do urbanismo brasileiro


Lota de Macedo Soares (Paris, 16/03/1910 – Nova York, 25/09/1967) foi uma arquiteta-paisagista e urbanista que idealizou e coordenou a construção do Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro, um dos maiores aterros urbanos do mundo e marco do urbanismo moderno no Brasil. Autodidata, Lota enfrentou preconceitos de gênero e resistências políticas para concretizar sua visão de cidade humanizada.


7. Maria Bonita, a primeira cangaceira


Maria Bonita (Paulo Afonso/BA, 1910 – Poço Redondo/SE, 1938), nascida Maria Gomes de Oliveira, foi a primeira mulher a integrar ativamente o cangaço, rompendo padrões sociais do sertão nordestino nos anos 1930. Companheira de Lampião, participou do cotidiano e dos deslocamentos dos bandos cangaceiros, em um universo majoritariamente masculino. Sua presença marcou uma mudança no papel das mulheres dentro do movimento. Tornou-se símbolo cultural de coragem, resistência e protagonismo feminino.


8. Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista negra do Brasil


Maria Firmina dos Reis (São Luís/MA, 1822 – Guimarães/MA, 1917) é considerada a primeira romancista negra do Brasil e autora de “Úrsula” (1859), o primeiro romance abolicionista do país, que questiona a escravidão dando voz a personagens escravizados. Sua obra pioneira abriu espaço para a literatura afro-brasileira e desafiou o papel relegado às mulheres e pessoas negras no século XIX. Além de romancista, publicou poemas, contos e participou ativamente de debates sobre educação e igualdade. Também foi a primeira mulher aprovada em concurso público na província do Maranhão e fundou uma das primeiras escolas mistas e gratuitas da região.


9. Maria Lenk, a primeira sul-americana nos Jogos Olímpicos


A atleta Maria Lenk (São Paulo/SP, 1915 – Rio de Janeiro/RJ, 2007) foi a primeira mulher sul-americana a competir em Jogos Olímpicos, aos 17 anos, representando o Brasil na Olimpíada de Los Angeles de 1932. Mais tarde, ainda introduziu o nado borboleta em competições internacionais. Além disso, foi a primeira mulher diretora da Escola de Educação Física da UFRJ e deixou um legado duradouro na natação, com recordes mundiais e reconhecimento como patrona da modalidade no Brasil.


10. Maria Quitéria de Jesus Medeiros, a primeira mulher no Exército Brasileiro


Maria Quitéria de Jesus (Feira de Santana/BA, 1792 – Salvador/BA, 1853) foi uma heroína da Independência do Brasil e é reconhecida como a primeira mulher a integrar oficialmente o Exército Brasileiro. Alistou-se disfarçada de homem para lutar contra as tropas portuguesas na Bahia, destacando-se pela coragem e habilidade militar. Seu desempenho em combate lhe rendeu a condecoração da Imperial Ordem do Cruzeiro, concedida por Dom Pedro I.


11. Narcisa Amália, a primeira jornalista profissional do Brasil


Narcisa Amália de Campos (São João da Barra/RJ, 1852 – Rio de Janeiro/RJ, 1924) foi poeta, escritora, tradutora e a primeira mulher a se profissionalizar como jornalista no Brasil, fundando o jornal “Gazetinha” e colaborando com diversas publicações. Em 1872, publicou o livro “Nebulosas”, cuja poesia romântica foi bem recebida por críticos da época e por D. Pedro II. Seus artigos levantaram pautas abolicionistas, feministas e republicanas, confrontando as normas conservadoras do século XIX.


12. Nise da Silveira, a pioneira na humanização da saúde mental


Nise da Silveira (Maceió/AL, 1905 – Rio de Janeiro/RJ, 1999) foi médica psiquiatra e uma das principais responsáveis por transformar os tratamentos em saúde mental no Brasil ao se opor a práticas invasivas como eletrochoque e lobotomia. Defendeu abordagens humanizadas baseadas na escuta, na arte e nas relações afetivas como forma de cuidado. Fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, que revelou a potência criativa de pacientes psiquiátricos e ampliou a compreensão do sofrimento mental. Seu trabalho enfrentou resistência institucional, mas consolidou um legado ético e inovador na psiquiatria brasileira.


13. Rita Lobato Velho Lopes, a primeira médica formada no Brasil


Rita Lobato Velho Lopes (Rio Grande/RS, 1866 – Rio Pardo/RS, 1954) foi a primeira mulher a se formar em medicina no Brasil em 1887, concluindo o curso na Faculdade de Medicina da Bahia em apenas quatro anos; uma época em que mulheres enfrentavam forte preconceito para acessar a educação superior. Após a formatura, atuou em obstetrícia, ginecologia e clínica geral atendendo pacientes de diferentes classes sociais e frequentemente oferecendo serviços gratuitos, desafiando as expectativas da época.


14. Ruth de Souza, a primeira atriz negra brasileira indicada a um prêmio internacional de cinema


Ruth de Souza (Rio de Janeiro/RJ, 12/05/1921 – Rio de Janeiro/RJ, 28/07/2019) integrou companhias teatrais importantes e participou de filmes, novelas e peças de teatro marcantes, ganhando destaque na atuação e rompendo barreiras raciais em uma época de forte discriminação. Em 1954, tornou-se a primeira atriz negra brasileira a ser indicada a um prêmio internacional de cinema, o Leão de Ouro, no Festival de Veneza.


15. Teresa Margarida Silva e Orta, a primeira romancista brasileira


Teresa Margarida da Silva e Orta (São Paulo/SP, 1711 – Lisboa, 1793) é considerada a primeira romancista em língua portuguesa, tendo publicado em 1752 a obra “Aventuras de Diófanes”, que combina ficção e crítica social, sob o pseudônimo de Dorotéia Engrássia Tavareda Dalmira. Seu livro é apontado como o mais antigo texto de ficção de autoria brasileira que se conhece e se opõe, veladamente, ao absolutismo da época.


16. Tereza de Benguela, a rainha do Quilombo do Quariterê


Tereza de Benguela (Desconhecido – Mato Grosso, 1770) foi uma líder quilombola e rainha do Quilombo do Quariterê, onde organizou um sistema político e produtivo próprio, com direito a um parlamento e divisão de tarefas entre os moradores. Originalmente escravizada, tornou-se referência de resistência negra ao comando colonial português, unindo negros e indígenas em torno da luta pela liberdade. Sua liderança durou cerca de uma década, até o ataque e destruição do quilombo em 1770, quando ela desapareceu.


17. Thereza de Marzo, a primeira aviadora brasileira


Thereza de Marzo (São Paulo/SP, 06/08/1903 – 09/02/1986) foi uma das pioneiras na aviação feminina no Brasil e a primeira mulher brasileira a obter o brevê de piloto de avião, tendo realizado seu primeiro voo solo em 17 de março de 1922. Enfrentou barreiras sociais e familiares ao seguir a carreira de piloto em uma época em que voar era considerado um campo exclusivo dos homens. Seu legado é reconhecido como marco inicial da presença feminina na aviação brasileira.


A especialista: Maria Eugênia Ribeiro D’Elia é pedagoga formada pela UNICAMP e mestre em Educação pela mesma instituição. Possui ampla experiência docente no Ensino Fundamental, segmento em que atua na gestão escolar há mais de 20 anos. Atualmente é orientadora educacional do 6º ao 8º ano do colégio Progresso Bilíngue, acompanhando o desenvolvimento acadêmico e socioemocional dos alunos e fortalecendo a parceria entre escola e família.


Sobre a ISP – International Schools Partnership

A International Schools Partnership (ISP) é um grupo internacional presente em 25 países, com 109 escolas privadas e mais de 92.500 estudantes em todo o mundo. A ISP apoia e capacita as instituições de ensino, desenvolvendo novos padrões de excelência em educação, para transformar as escolas em referência em suas comunidades locais e no setor educacional global. O aluno da ISP está no centro da jornada de aprendizagem e é preparado para o futuro, tendo acesso a educadores apaixonados e experientes, e ferramentas para que adquira confiança, conhecimento e habilidades; e aprimore seu aprendizado acadêmico, pessoal, social e emocional em um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo. Para mais informações, acesse o site.

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