SINAL DE FRANK: CARDIOLOGISTA EXPLICA QUADRO QUE PODE ANTECEDER INFARTO

Dobra no lóbulo da orelha é associada a problemas nas artérias do coração

Isabella França

A morte do influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, após um infarto fulminante, reacendeu um debate nas redes sociais sobre o chamado sinal de Frank.


Trata-se de uma dobra diagonal no lóbulo da orelha que, segundo especialistas, pode estar associada a maior risco de doenças nas artérias do coração. Médicos reforçam, porém, que o sinal não é uma doença e não causa infarto. Ele pode funcionar apenas como um alerta.

O que é o Sinal de Frank

Descrito pela primeira vez na década de 1970, o sinal de Frank é uma linha ou prega que atravessa o lóbulo da orelha na diagonal. Para o cardiologista Raphael Boesche Guimarães, do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, pessoas acima dos 40 anos com a marca podem ter maior chance de apresentar alterações nas artérias coronárias — responsáveis por levar sangue ao coração.


A explicação mais aceita no meio científico é que o sinal de Frank esteja ligado ao envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos: com o tempo — e sob influência de fatores como pressão alta, colesterol elevado, diabetes e tabagismo — as artérias perdem elasticidade e podem acumular placas de gordura, processo chamado aterosclerose, que aumenta o risco de infarto e AVC.

Como o lóbulo da orelha é irrigado por microvasos, alterações nesses pequenos vasos e nas fibras de colágeno da região poderiam se manifestar como a dobra visível. Ainda assim, trata-se de uma associação estatística.

“O sinal de Frank não causa o infarto e não confirma doença cardíaca por si só. Ele é um marcador clínico que pode indicar envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos, algo que também acontece nas artérias do coração”, explica.

A cardiologista Lívia Sant’Ana reforça que há uma associação estatística, e não de causa e efeito. “O sinal de Frank foi descrito na literatura médica somente como um possível marcador de risco cardiovascular que pode indicar alterações vasculares”, diz.

O que o sinal de Frank pode indicar?Maior risco de doença arterial coronariana.
Possível envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos.
Maior probabilidade de presença de placas nas artérias.

Risco cardiovascular aumentado quando combinado com fatores como pressão alta, colesterol elevado, diabetes, obesidade e tabagismo.

Os especialistas dizem que ter o sinal de Frank não significa que a pessoa terá um infarto, assim como não ter o sinal não elimina o risco. “Não é possível afirmar que um único sinal físico explique um desfecho tão complexo. Infarto é resultado de um conjunto de fatores: genética, estilo de vida, pressão alta, colesterol elevado, diabetes, estresse e, muitas vezes, falta de acompanhamento médico”, ressalta Guimarães.

Ele também chama a atenção para a evolução silenciosa das doenças cardíacas. Muitas mortes súbitas acontecem em pessoas que aparentemente estavam bem. O coração pode desenvolver doença coronariana ao longo de anos sem causar sintomas até que ocorra um evento grave.

Para os cardiologistas, o sinal de Frank é um achado clínico complementar. Ele não substitui exames, não fecha diagnóstico e não pode ser analisado isoladamente.
“Se o indivíduo percebe essa dobra no lóbulo e já tem fatores de risco, como pressão alta ou colesterol elevado, é um bom momento para procurar avaliação médica e fazer um check-up”, afirma Lívia.

O sinal de Frank pode chamar a atenção, mas o que realmente faz diferença é o acompanhamento médico regular. Doenças cardiovasculares muitas vezes evoluem sem sintomas claros — e agir antes que o problema apareça é o que realmente protege o coração.

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