THE ECONOMIST: BRASIL DE MATURIDADE DEMOCRÁTICA PARA AS AMÉRICAS



Reprodução/The Economist
Revista traz ilustração de Bolsonaro vestido de "Viking do Capitólio" com as cores do Brasil no rosto, uma alusão ao homem símbolo da invasão ao Congresso americano, em 2021

A revista britânica The Economist afirmou, em artigo publicado hoje, que o Brasil dá uma "lição de maturidade democrática" para o continente americano, em contraponto aos Estados Unidos.

O que aconteceu

Estados Unidos e Brasil estão "trocando de lugar", diz o artigo. Ao comparar a situação política dos dois países, a revista afirmou que os EUA estão ficando "mais corruptos, protecionistas e autoritários" sob o governo de Donald Trump, enquanto o Brasil está determinado a "salvaguardar e fortalecer sua democracia", mesmo com as sanções impostas pelo presidente americano.

The Economist chama Brasil de "outra grande democracia" da América. A revista citou o início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe, marcado para 2 de setembro, e disse que o fato torna o país um teste de como outras nações podem se recuperar de uma "febre populista".

Papel do "adulto democrático mudou para o hemisfério sul", afirma a revista sobre o Brasil. Segundo a publicação, ao contrário do que acontece nos EUA, políticos tradicionais brasileiros, da esquerda à direita, seguem as regras democráticas e querem "progredir" por meio de reformas institucionais.

Revista traz ilustração de Bolsonaro como "Viking do Capitólio" pintado com as cores do Brasil. A imagem faz alusão a Jacob Chansley, homem que virou símbolo da invasão ao Congresso americano, em 6 de janeiro de 2021, por apoiadores inconformados com a derrota de Donald Trump para Joe Biden nas eleições de 2020.

STF é "barreira contra o autoritarismo". O artigo afirma que a reação da Corte à tentativa de golpe de 8 de Janeiro é reflexo de uma memória ainda viva do golpe militar de 1964 e que o país restaurou a democracia em 1988, "moldado pela Constituição Cidadã".

Supremo é alvo de críticas apesar de defender a democracia. A The Economist cita que a Corte julga milhares de casos por ano, incluindo temas que vão de impostos a cultura. "Muitas vezes age como vítima, acusadora e juíza ao mesmo tempo, o que gera debate sobre excessos de poder", diz o artigo.

Maioria dos brasileiros vê tentativa de golpe de Bolsonaro. A revista cita pesquisas de opinião que indicam que a maioria da população acredita que o ex-presidente tentou se manter no poder à força. Ainda segundo o artigo, governadores conservadores, que buscam apoio de Bolsonaro para concorrer à Presidência da República em 2026, criticam seu estilo político.

Em 2 de setembro, o julgamento de Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil e o "Trump dos trópicos", começará no Supremo Tribunal Federal. As evidências parecem um flashback do passado turbulento do Brasil. Um ex-general de quatro estrelas conspirou para anular o resultado da eleição; assassinos planejaram assassinar o verdadeiro vencedor. Como nossa investigação sobre a trama explica, o golpe fracassou por incompetência, e não por intenção.

Ao contrário de seus colegas nos Estados Unidos, muitos dos políticos tradicionais do Brasil, de todos os partidos, querem seguir as regras e progredir por meio de reformas. Essas são as marcas da maturidade política. Pelo menos temporariamente, o papel do adulto democrático do hemisfério ocidental mudou para o sul.The Economist, em artigo sobre a democracia brasileira.


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