Presidenciável cobra união entre partidos de esquerda, centro e direita e faz sinal a PT, que não participou do ato deste domingo, convocado pelo MBL

Gustavo Schmitt

Manifestantes ocupam Avenida Paulista em ato contra o presidente Jair Bolsonaro Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Líderes políticos que discursaram em ato contra o presidente Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, região central de São Paulo, na tarde deste domingo, pregaram a união de todos os campos políticos para brigar pelo impeachment do chefe do Executivo. O ex-ministro Gomes defendeu uma aliança de "quem for democrata" e, em um aceno ao PT, que não aderiu aos atos deste dia 12, disse que "ainda há tempo" para a sigla integrar o movimento.

— Para fazer o impeachment e proteger a democracia brasileira temos que juntar todo mundo. Ainda há tempo para o PT amadurecer. Quem for democrata tem que entender que o impeachment é a a única saída. Precisamos fazer um acordo com a direita e um centro democrático — disse.

Candidato à Presidência da República em 2018, assim como Ciro, João Amoedo (Novo) também pregou união pelo impeachment:

— Ninguém aqui tem medo de dizer que é esquerda e direita. Isso é besteira de quem quer manter o Bolsonaro no poder. A prioridade é o impeachment — disse o empresário.

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), a senadora Simone Tebet (MDB-MS), os deputados federais Tabata Amaral (sem partido-SP), Joice Hasselmann (PSL-SP), Orlando Silva (PCdoB-SP) e Kim Kataguiri (DEM-SP), os deputados estaduais Isa Penna (PSOL-SP) e Arthur do Val (Patriota-SP), o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, acompanharam os discursos a favor da união de todo o campo político contra Bolsonaro.

A manifestação ocupou trechos da via. A avenida não chegou a ser totalmente interditada, e a maior concentração de pessoas era num trecho de cerca de 500 metros entre os prédios da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Museu de Artes de São Paulo (Masp).

Com o mote "Fora, Bolsonaro", o ato na Avenida Paulista faz parte de uma campanha do Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e outros grupos, que convocou manifestações em ao menos 15 capitais. No Rio, manifestantes se reuniram na praia de Copacabana na manhã deste domingo para pedir o impeachment do mandatário. Em Belo Horizonte, a concentração ocorreu na Praça da Liberdade, no centro da capital.


Líderes do MBL como Renan Santos, Kataguiri e do Val, reconheceram as divergências com a esquerda ao apresentarem Ciro e Orlando Silva. Ainda assim, pediram que seus apoiadores, na maioria jovens de direita, aplaudissem os antigos adversários políticos.

— Todos sabem das nossas divergências. Mas quero poder discordar deles democraticamente — disse Do Val.

O coro de união de vários campos políticos numa aliança contra Bolsonaro foi engrossado pela presidente da UNE, Bruna Brelaz:

— Precisamos reunir os amplos setores da sociedade para derrubar aquele que está destruindo o nosso Brasil. Faço um chamado para que a gente deixe de lado as nossas diferenças. Esquerda, centro e direita. Chega de Bolsonaro!

VEJA FOTOS DO PROTESTO CONTRA BOLSONARO EM COPACABANA
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Mulher usa máscara de proteção para protestar contra o presidente Bolsonaro Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Manifestante protesta contra declarações recentes do presidente, que chamou de idiota quem prefere comprar feijão a fuzil 
Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Manifestante protesta contra postura antidemocrática do presidente 
e seus apoiadores 
Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Manifestante fantasiado Pantera Negra, super-herói da Marvel, para
 protestar contra Bolsonaro
 Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Manifestantes posam para fotos ao lado de homem fantasiado de Pantera Negra durante protesto em copacabana Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Mulher carrega cartaz durante protesto contra Bolsonaro Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Manifestante protesta contra Bolsonaro em Copacabana Foto: Brenno Carvalho / Agência O GloboHomem usando chapéu viking escrito "Fora corno" participa de protesto contra o presidente Bolsonaro Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Manifestantes se reuniram na Avenida Atlântica, na altura do posto 5, 
em Copacabana Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Bandeirão com a mensagem de impeachment e uma gravura do presidente Bolsonaro é agitado durante rotesto Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Na mesma linha, o cantor Tico Santa Cruz afirmou que os manifestantes devem focar na saída de Bolsonaro no poder para, depois, falar sobre eleições:

— Eleição de 2022 a gente decide em 2022, nas urnas. Nossa pauta agora é retirar o Bolsonaro. Ele disse: ou vai pra cadeia, ou ele morre ou ele ganha. Efetivamente, não quero que Bolsonaro morra, mas o Bolsonaro também não vai ganhar. Mas o Bolsonaro vai pra onde? Cadeia" — afirmou o músico.

Manifestantes ocupam trecho da Avenida Paulista, em frente à Fiesp Foto: Gustavo Schmitt / Agência O Globo

Inicialmente, o MBL pretendia fazer um protesto com o mote "Nem Bolsonaro, nem Lula", em apoio a uma terceira via nas eleições de 2022. Ao longo da semana, porém, num sinal para receber a adesão de outras siglas de esquerda, o grupo concordou em fazer um ato apenas pedindo a saída de Bolsonaro do cargo.

Apesar disso, havia, ao lado do carro de som do Vem Pra Rua, um boneco inflável com Bolsonaro, de camisa de força, e Lula, com roupa de presidiário, abraçados. Enquanto lideranças oolíticas discursavam a favor da união do campo democrático pelo impeachment de Bolsonaro no carro de som do MBL, onde estava a maior parte do público, um dos líderes do Vem Pra Rua, Rogério Chequer, falava que não quer "o PT de volta nunca mais".

Enquanto Ciro e outros nomes do PSB e PCdoB compareceram ao ato. PT e PSOL descartaram adesão e trabalham para a realização de uma manifestação mais ampla contra Bolsonaro para outubro ou novembro.

Criado em 2015, o MBL esteve por trás de grandes manifestações de rua em São Paulo que pediam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Boa parte do público daqueles atos, no entanto, mantém apoio a Bolsonaro e foi à Avenida Paulista na terça-fera, quando o presidente fez ameaças aos outros Poderes e afirmou que não cumpriria mais decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Ele, depois, diria que o discurso foi feito "no calor do momento".

Orlando Silva disse, no carro de som, que entende que o PT não participou para evitar um desconforto com o MBL. Segundo ele, porém, é importante criar um campo para que o maior partido da oposição possa aderir aos atos. Ele se lembrou da organização das Diretas-Já:

— Pensam que foi tudo flores, mas houve muita contradição.

Próximo a um dos carros de som do MBL, boa parte das pessoas usava camisa branca, como recomendara a organização do ato. Mas ao longo da avenida, há todo tipo de vestimentas: pessoas com cores que remetem à temática LGBT e com camisetas amarelas, portando bandeiras do Brasil. Um ambulante vendia, em uma das esquisas, bandeiras com as figuras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, além de estampas com a frase "Fora, Bolsonaro".

Apoiadores de Bolsonaro chegaram a passar pela Avenida Paulista e filmaram o ato com seus telefones, em tom de deboche.


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