
"Essa formulação de preço faz com que a Petrobrás venda
combustíveis produzidos no país como se fossem importados,
privilegiando grandes acionistas e multinacionais com o
reajuste dos valores. Os acionistas são beneficiados pelo
crescimento do lucro e as empresas estrangeiras pela oferta
de preços favoráveis, que lhes permitem ampliar as suas fatias
do mercado nacional”, afirma o economista Eric Gil Dantas,
do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps).
O estudo é fundamentado nos relatórios financeiros publicados
pela Petrobrás e aponta que, mesmo com a disparada do dólar, os
gastos com extração (lifting cost) e refino caíram e, em 2020, ficaram
abaixo da média real dos últimos 16 anos.
Graças à descoberta do pré-sal, a estatal registrou em dezembro
passado um custo de extração de petróleo por barril na ordem de
R$ 67,60 e de refino, de R$ 8,67. É importante salientar que a maior
parte do gasto em dólar da companhia concentra-se na extração,
onde há maior demanda de serviços de empresas estrangeiras,
como, por exemplo, o aluguel de plataformas.
Para chegar ao valor de R$ 3,60, a pesquisa se baseou em variáveis
reais e não nas do mercado financeiro internacional. O cálculo
considerou o valor que a Petrobrás gasta para extrair petróleo no
Brasil, mais os
custos da importação de derivados e do refino e outros gastos, como
custos de exploração e desenvolvimento, que não são divulgados pela empresa.
O resultado é um preço justo e praticável, que assegura à Petrobrás
100% de lucro operacional para a extração e o refino da gasolina.
Veja os números:
Observatório Social da Petrobrás
Inaugurado no dia 1º de abril, o Observatório Social da Petrobrás
(OSP), uma organização da sociedade civil, surge pelo esforço e
parceria de vários trabalhadores e pesquisadores brasileiros que
defendem uma Petrobrás pública, atuando em prol da
população e desempenhando seu verdadeiro papel de
protagonista no desenvolvimento do país.
O OSP foi criado para monitorar, fiscalizar e divulgar estudos sobre a empresa e as consequências do seu desmonte e da sua privatização.
O Observatório quer mostrar ainda que é possível ter uma Petrobrás
a serviço dos interesses nacionais, uma Petrobrás para os Brasileiros.

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