RUSHDIE E ROWLING ENTRE 150 AUTORES QUE PROTESTAM CONTRA A ''CULTURA DO CANCELAMENTO'' QUE AMEAÇA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO


Salman Rushdie        SEAN ZANNI/GETTY IMAGES

Ironicamente, a participação de Rowling já levou pelo menos uma das subscritores a cancelar (simbolicamente, arrependendo-se em público) da sua participação

LUÍS M. FARIA

Cento e cinquenta figuras públicas, entre as quais os escritores Salman Rushdie, J.K. Rowling e Margaret Atwood, subscreveram uma carta aberta a favor da liberdade de expressão e contra a chamada 'cancel culture', ou seja, o hábito de castigar pessoas por exprimirem opiniões vistas como insuficientemente conformes a perspetivas atualmente em voga, nomeadamente em matérias como o género e as identidades sexuais.

A prática de acusar e tentar calar quem faz declarações consideradas objetáveis - obrigando ao cancelamento das respetivas intervenções públicas, ou mesmo ao seu despedimento - tem sido muito criticada por estar a prejudicar os hábitos de discurso livre que é suposto vigorarem em meios como as universidades ou os media.

"As forças do iliberalismo estão a ganhar força no mundo", diz a carta, "e têm um aliado poderoso em Donald Trump, que representa uma verdadeira ameaça para a democracia. Mas não se pode permitir que a resistência endureça na sua própria forma de dogma e coerção - algo que os demagogos de direita já estão a explorar. A inclusão democrática só pode ser conseguida se falarmos contra o clima intolerante que se instalou de todos os lados".

A carta foi publicada na revista "Harpers" e inclui igualmente nomes venerados pela esquerda como Gloria Steinem e Noam Chomsky. Curiosamente, o facto de entre os subscritores se encontrar Rowling - um nome que se tornou objetável para algumas pessoas depois de comentários recentes que a escritora fez sobre transsexuais - já levou pelo menos uma autora a arrepender-se da sua participação.

A ativista trans Jennifer Finney Boylan explicou no Twitter que não sabia que Rowling tinha assinado a carta. "Achei que estava a apoiar uma mensagem bem intencionada, embora vaga, sobre 'internet shaming' (envergonhamento na internet)". E pediu desculpa.

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