REGIÃO ONDE FICA O DISTRITO FEDERAL É HABITADA HÁ 8414 ANOS

DISTRITO FEDERAL

A descoberta histórica foi constatada por arqueólogos durante estudos no sítio arqueológico de Cachoeirinha, no Paranoá

JP RODRIGUES/METRÓPOLES

Uma descoberta de pesquisadores no Distrito Federal começou a revelar a história dos primeiros habitantes da capital do Brasil. Após três anos de estudos, arqueólogos de Aparecida de Goiânia (GO) desvendaram que humanos pisaram em solo candango há 8.414 anos.

A datação inédita foi constatada pelo arqueólogo Edilson Teixeira de Souza, da empresa AL Consultoria, após análises no sítio arqueológico de Cachoeirinha, localizado na região do Paranoá. O complexo foi encontrado em 2016, durante estudos orientados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Na ocasião, tal descoberta foi noticiada pelo Metrópoles.

Conforme Margareth Souza, arqueóloga do Iphan-DF, as pesquisas começaram em 2016, na área que atualmente comporta o sítio arqueológico. “Haviam começado obras em uma rodovia e em um condomínio e, como é uma área com grande potencial arqueológico, nós fomos avaliar o que precisava ser feito. Foi então que descobrimos o sítio”, contou.

Sobre a datação, a profissional ressaltou a importância da novidade para estudos futuros de história. “Vai contribuir muito para banco de dados sobre primeiros habitantes da América Latina, até”, destacou.

Fragmentos de carvão

Pós-graduado em geofísica e professor de geologia da Universidade de Brasília (UnB), Elder Yokoyama é um dos pesquisadores que compõem os estudos no complexo de Cachoeirinha. À reportagem, ele contou que a datação partiu de análises de fragmentos de carvão encontrados em uma escavação no local.

“A maior parte dos sítios não tem carvão associado, então não é tão simples encontrar carvão e associar a algum tipo de uso humano. Mas, nesse sítio, a cerca de 60 centímetros do chão, foram detectados fragmentos com cinzas associadas, mostrando uma fogueira ali”, explicou o geólogo.

As partículas preservadas durante milênios foram encaminhadas para um laboratório nos Estados Unidos. “A gente não tem no país um laboratório com certificação, por isso mandamos para fora. Foi então que confirmamos essa idade de mais de 8 mil anos”, disse.

ANA KAROLLINE RODRIGUESanakarolline.rodrigues@metropoles.com

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