BARACK OBAMA AFIRMA ESTAR PREPARADO PARA NOVAS SANÇÕES SE RÚSSIA INVADIR UCRÂNIA





O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta sexta-feira que vai conversar com líderes europeus sobre a situação na Ucrânia, e estaria pronto para impor mais sanções se a Rússia aumentar as ações em apoio a rebeldes no Leste do país.

Obama, que está na Coreia do Sul, quer incentivar a União Europeia a adotar novas sanções contra a Rússia devido à Ucrânia, de acordo com fontes familiarizadas com a situação.

Obama disse que vai procurar certificar-se que os principais líderes europeus compartilham sua visão de que a Rússia não conseguiu fazer jus aos termos de um acordo de paz para a Ucrânia assinado em Genebra neste mês.

- O que é importante também é preparar o terreno para que, se e quando virmos um aumento ainda maior da tensão, talvez até mesmo uma incursão militar da Rússia na Ucrânia, que estejamos preparados para o tipo de sanções setoriais que teriam consequências ainda maiores – disse Obama.

Sanções setoriais referem-se a medidas punitivas mais amplas visando partes específicas da economia russa, como os setores de defesa ou de energia.

Discordâncias entre países da União Europeia sobre impor ou não novas sanções econômicas à Rússia fizeram os EUA adiarem medidas punitivas, disseram fontes, sob a condição de anonimato. Washington não descarta agir por conta própria, mas prefere coordenar suas sanções com as da UE.

Autoridades dos EUA ficaram impacientes com o que descrevem como o fracasso da Rússia em cumprir seus compromissos selados em Genebra na tentativa de acalmar a crise na Ucrânia.

Os Estados Unidos também estão frustrados com a relutância de algumas nações europeias, notavelmente a Alemanha e a Itália, em impor uma nova rodada de sanções econômicas à Rússia.

As fontes disseram que Obama deve manter na sexta-feira uma teleconferência com os líderes da Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália.

Na quinta-feira, em Tóquio, Obama culpou a Rússia por não cumprir o acordo de Genebra, dizendo-se dispostos a adotar novas sanções.

Em um sinal da crescente preocupação com a Ucrânia, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, emitiu um alerta cifrado à Rússia para não invadir o país vizinho. A Rússia tem cerca de 40 mil soldados na sua fronteira com a Ucrânia, sendo que alguns realizaram exercícios militares na quinta-feira.

- Depois do movimento ameaçador de tropas russas hoje na direção da fronteira com a Ucrânia, deixem-me ser claro: se a Rússia continuar nessa direção, não será apenas um grave erro, será um erro caro – disse ele num pronunciamento convocado às pressas no Departamento de Estado.

Os Estados Unidos acusam a Rússia de apoiar separatistas no leste ucraniano como parte de uma tentativa deliberada de desestabilizar a região, prejudicar as eleições do mês que vem e exercer uma maior influência sobre Kiev.

Pelo acordo firmado na semana passada em Genebra pela Rússia, Ucrânia, UE e EUA, os grupos armados ilegais deveriam se desarmar e se dispersar, incluindo os rebeldes que ocupam cerca de uma dúzia de prédios públicos no leste russófono da Ucrânia.

Resposta russa

Ainda nesta sexta-feira, a Rússia alertou que Kiev irá enfrentar a Justiça por um “crime sangrento” no leste da Ucrânia, onde forças ucranianas mataram na véspera até cinco rebeldes pró-russos.

– Eles (Kiev) estão travando uma guerra contra o seu próprio povo. Esse é um crime sangrento, e aqueles que empurraram o Exército a fazer isso irão pagar, tenho certeza, e irão enfrentar a Justiça – disse o chanceler russo, Sergei Lavrov, numa reunião com diplomatas.

A agência de qualificação de crédito Standard & Poor’s também fez um lembrete sobre os custos da crise para Moscou. A agência cortou a nota de crédito da Rússia, forçando o país a elevar a taxa básica de juros para segurar a cotação do rublo.

Lavrov disse que Moscou tem interesse em implementar o acordo selado em Genebra na semana passada entre Ucrânia, Rússia, Estados Unidos e União Europeia com o objetivo de atenuar as tensões na Ucrânia e desarmar os grupos ilegais. Mas ele acusou Washington de distorcer o acordo com “exigências tendenciosas”. O Ministério da Defesa se disse pronto para travar discussões “não tendenciosas e construtivas” com os Estados Unidos para estabilizar a situação.

O presidente russo, Vladimir Putin, releva as sanções impostas até agora, que fazem com que alguns indivíduos enfrentem restrições de viagens e congelamentos de bens no exterior.

CORREIODO BRASIL

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