BALANÇA COMERCIAL BRASILEIRA REGISTRA DÉFICIT DE US$ 6 BILHÕES


Em março, o Brasil comprou mais do que exportou, segundo balanço do Banco Central

Com fraco desemprenho da balança comercial, o Brasil registrou déficit em transações correntes de US$ 6,248 bilhões em março, sem que o rombo tivesse sido coberto pelos investimentos produtivos, em mais um sinal de deterioração das contas externas do país. Os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no país somaram US$ 4,995 bilhões no mês passado, informou o Banco Central nesta sexta-feira. A última vez que esses recursos compensaram integralmente o déficit em conta corrente do país foi em novembro passado.

Economistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters previam saldo negativo na conta corrente de US$ 6,450 bilhões em março e IED de US$ 3,5 bilhões. Já o próprio BC havia previstodéficit na conta corrente de US$ 5,8 bilhões no mês passado.

– O resultado (das transações correntes) ficou maior do que o previsto em boa parte à reação lenta da balança comercial – afirmou o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

No mês passado, a balança comercial registrou superávit de apenas US$ 112 milhões. De janeiro a março, acumula déficit recorde para o período de US$ 6,072 bilhões, mantendo-se como uma ponta vulnerável das transações correntes – que abrangem a importação e a exportação de bens e serviços e as operações unilaterais do Brasil com o exterior.

Remessa de lucros

Também continuou pesando na conta corrente as remessas de lucros e dividendos, que somaram US$ 1,892 bilhão em março, ante US$ 2,732 bilhões em igual mês do ano passado. O BC informou ainda que os gastos líquidos de brasileiros no exterior com viagens atingiram US$ 1,302 bilhão, um pouco acima do US$ 1,263 bilhão em igual mês do ano passado. Os gastos com aluguel de equipamento também foram elevados, atingido US$ 1,837 bilhão em março.

“A gente não observava ao longo de 2012 e 2013 uma queda na comparação interanual”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. Com relação a 2013, os gastos de brasileiros em viagens ao exterior chegaram ao recorde de US$ 25,342 bilhões.

No primeiro trimestre também houve redução nas despesas de brasileiros no exterior. De janeiro a março, esses gastos chegaram a US$ 5,874 bilhões, com redução de 1,8% em relação ao primeiro trimestre do ano passado (US$ 5,984 bilhões). O resultado confirma tendência apresentada no primeiro bimestre.

Os investimentos em renda fixa no país registraram ingresso líquido de US$ 6,376 bilhões em março, bem acima dos US$ 499 milhões em igual mês do ano passado. Os investimentos estrangeiros líquidos em ações no país, por sua vez, somaram US$ 1,310 bilhão em março, um pouco abaixo do volume de um ano antes, de US$ 1,874 bilhão.

Com esses resultados, o setor externo encerrou o primeiro trimestre com déficit de US$ 25,186 bilhões, ligeiramente acima do saldo negativo de US$ 24,704 bilhões de igual período de 2013. No acumulado em 12 meses encerrados no mês passado, o déficit em conta corrente do país ficou em 3,64% do Produto Interno Bruto (PIB).

Diante do elevado e crescente rombo nas contas externas do país, o presidente do BC, Alexandre Tombini, disse recentemente que a tendência é que o déficit em conta corrente se estabilize.

CORREIO DO BRASIL

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