Grandes economias, sob intensa pressão, tentam proteger o euro

Crise do euro é a pior desde a
 formação do bloco econômico europeu


As maiores economias do mundo prometeram impedir que a crise da dívida europeia prejudique os bancos e os mercados financeiros, dizendo que o fundo de resgate da zona do euro pode ser aumentado. Sob pressão dos investidores para mostrar ação, os ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20 disseram que tomarão todas as medidas necessárias para acalmar o sistema financeiro global.

“Nos comprometemos a tomar todas as ações necessárias para preservar a estabilidade dos sistemas bancários e dos mercados financeiros, conforme necessário”, disse o bloco em comunicado divulgado na noite passada. Em sinal de que a zona do euro está trabalhando para aumentar a potência do fundo de resgate de 440 bilhões de euros, o comunicado do G20 disse que seus membros implementarão “ações” para aumentar a flexibilidade do Instrumento Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF) e maximizar seu “impacto” até a próxima reunião ministerial do grupo, em outubro.

Não houve detalhes sobre como o fundo poderia ser alterado, embora o ministro das Finanças francês, François Baroin, tenha usado a palavra “alavancagem” em declarações a jornalistas. Os Estados Unidos já propusera que a Europa poderia alavancar o EFSF, dando a ele mais poder para proteger a zona do euro e seus bancos. Depois das reuniões, uma autoridade norte-americana disse que o G20 mostrara um elevado senso de urgência, mas não discutira um mecanismo específico para alavancar ou expandir o fundo de resgate.

Uma fonte do G20 disse que a referência ao EFSF no comunicado foi deixada ambígua para manter aberta a possibilidade de alavancar o fundo ou usá-lo para comprar dívida governamental nos mercados secundários.

Sob pressão

A Europa, porém, recebeu intensa pressão dos EUA e de outros países para tomar medidas mais ousadas. Mais cedo, na quinta-feira, o secretário de Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, expressou otimismo de que a Europa devotaria mais de seus próprios recursos para apoiar a zona do euro e seus bancos.

Eu estou muito confiante de que eles agirão na direção de expandir (sua) capacidade financeira efetiva. Eles só estão tentando descobrir como chegar lá de forma que seja politicamente atraente – disse Geithner.

Os líderes do G7 destacaram anteriormente a necessidade de conter a crise de dívida e autoridades financeiras dos Brics – incluindo Brasil, China e Índia – disseram que considerariam dar mais capital ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar na estabilidade global. Mas a Índia disse que os países em desenvolvimento não estão em boa posição para resgatar economias mais ricas e a autoridade dos EUA disse que o G20 não conversou sobre os emergentes darem mais fundos ao FMI.

Por sua vez, o presidente do Banco Central da China, Zhou Xiaochuan, disse que os emergentes deveriam incentivar sua demanda doméstica para compensar a lentidão causada pela fraqueza dos EUA e da Europa.

Recursos

Os bancos europeus, por sua vez, já receberam 420 bilhões de euros em recursos para ajudar a recapitalizá-los, informou a União Europeia nesta sexta-feira, acrescentando que as instituições estão em melhor forma que três anos atrás.

 A recapitalização dos bancos europeus está em andamento, é algo que já está acontecendo. Tem acontecido desde 2008… A quantia da recapitalização dos bancos europeus é de 420 bilhões (de euros) – disse o porta-voz da Comissão, Olivier Bailly.

Ele acrescentou que “não há nenhum grande plano europeu para recapitalizar os bancos na Europa”.

GAZETA DO SANTA CÂNDIDA, JORNAL QUE TÊM O QUE FALAR

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