terça-feira, 8 de maio de 2018

SOMENTE AS RUAS PARAM O MECANISMO GOLPISTA

O deputado Enio Verri (PT-PR) descreve a tragédia do golpe na economia e, consequentemente, na qualidade de vida dos trabalhadores que perdem emprego. “Não há como reagir senão paralisando as ruas com a voz, as pernas, os ouvidos e o coração do preso político chamado Lula”, afirma ao dizer que o cenário é de “humilhação” e “derrota” no Brasil.

O incontinente crescimento do desemprego é proporcional à paulatina paralisação do Brasil. O mecanismo tem o propósito de tornar a nação bem mais barata aos interesses internacionais, que estão a poucos passos de se apossarem, definitivamente, da soberania nacional. Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, o grau de ociosidade produtiva do País, auferido em 2017, de -7,2%, será superado apenas em 2020. A projeção do Instituto Focus, do Banco Central, para a expansão do PIB, de 2018, passou de 2,75%, para 2,70%.

Entre 2016 a 2018, o número de desempregados aumentou em 2,6 milhões. Com carteira assinada, foi 1,7 milhão. O consumo está caindo, 1,2 milhão de pessoas passou a usar carvão e lenha para cozinhar. Por outro lado, o governo traidor do País produz o maior desinvestimento do Estado em seu desenvolvimento. A EC 95 é uma traição à nação. É condenar 85% da população à migalha do que cai da mesa dos 15% restantes. Sem poder de investimento, o Estado Expandido deixará de prestar serviços essenciais à população, sendo forçado pelos arautos do Estado Mínimo a privatiza-lo.

É a isso que serve o processo de encarceramento de Lula e a iníqua tentativa de inviabiliza-lo politicamente. O objetivo é matar um projeto de País soberano, com justa distribuição de suas riquezas. Uma ideia que criou cerca de 20 milhões de empregos formais, com as mesmas leis trabalhistas suprimidas pelo consórcio golpista e escravocrata, de 2016. A desregulamentação concorre para matar a Previdência. Em 2017, os 493 mil trabalhadores formais da iniciativa privada que se tornaram 533 mil contratados sem registro, vivem o dilema de comer, morar, vestir, ou recolher ao INSS. Esse mecanismo matará a Previdência de inanição.

A economia depende da política que se adota. Os brasileiros que acreditam no povo desta terra sabem e devem se fazer saber que são contra a política ultraliberalizante, de viés sabujo, adotada pelo ministério de notáveis entreguistas de Temer. A indignação deve ser levada a todos os lugares e o debate deve ser provocado. As empresas nacionais e os recursos energéticos só permanecerão em mãos brasileiras com uma torrencial e corajosa ocupação das ruas. Brasileiras e brasileiros não podem aceitar a instalação de um projeto derrotado nas urnas, em 2014, imposto sem legitimidade.

Independente de coloração partidária ou tendência ideológica, o que está em jogo é a segurança social. Com o desmonte do Estado de Bem Estar Social, os níveis de desigualdade aumentarão e suas consequências cairão sobre a elástica classe média, que vai de remediados à alta. Por mais ou menos intensidade com que esta seja atingida, o modelo excludente apresentado é de acirramento e de compressão na parte que vive mais próximo dos excluídos de cidadania. A tendência é a violência aumentar na mesma proporção que a estagnação da economia se aprofundar e o desemprego aumentar o fosso entre os que comem e os que voltaram a não comer.

O cenário para o Brasil é de humilhação e derrota. Uma nação que, há poucos anos, saiu da 16ª para a 6ª posição econômica mundial, que possui a maior parte da água do mundo, uma gigantesca área agricultável, empresas gigantes e tecnologicamente avançadas, acelerador de partículas, entre outras riquezas e potenciais, está submissa a um crime de lesa-pátria contra o seu próprio futuro. Não há como reagir senão paralisando as ruas com a voz, as pernas, os ouvidos e o coração do preso político chamado Lula. As ruas são o lugar para fazer valer a ideia.

*Enio Verri é deputado federal pelo PT do Paraná.

Do blog do Esmael

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