quinta-feira, 9 de março de 2017

DOS 4 MIL MOTORISTAS DE ÔNIBUS EM CURITIBA, 60 SÃO MULHERES


A motorista de ônibus Lurdes de Melo: sem preconceito (foto: Luiz Costa/SMCS)

Quando entrar no biarticulado Santa Cândida/Capão Raso preste atenção. Quem dirige um dos ônibus desta linha é a motorista Vânia Custella. Ela é uma das 60 mulheres que atualmente dirigem ônibus do transporte coletivo de Curitiba.

Os números ainda são tímidos frente aos mais de quatro mil motoristas contratados pelas empresas operadoras do transporte público em Curitiba, porém indicam a quebra de paradigma dentro de um universo profissional predominantemente masculino.

“Na década passada era uma raridade encontrar mulheres dirigindo ônibus coletivo, ainda mais Expressos (biarticulados). Hoje, as barreiras estão caindo e é um caminho sem volta, pois elas estão conquistando espaço por merecimento, competência e por trabalhar de igual para igual”, disse Amilton Daeme, gestor de Fiscalização de Transporte da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs).

No transporte da capital, as mulheres dirigem também ônibus de linhas alimentadoras, convencionais, Interbairros e Linha Turismo. Somando as linhas da região metropolitanas, são 81 mulheres na direção, segundo levantamento do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana. Oito das dez empresas do sistema de transporte metropolitano de Curitiba têm mulheres no quadro de motoristas.

A maioria dessas profissionais começou dentro das empresas em outras funções, como cobradoras, auxiliares de serviços gerais e foram mostrando interesse de se capacitar para assumirem o volante. Foi o caso de Lurdes de Melo, que há dois anos dirige em duas linhas: Campina do Siqueira/Batel e Campo Cumprido/Capão Raso.

Lurdes começou na empresa Araucária Transporte como atendente do Transporte do Ensino Especial e quis mais. Fez o curso na Escola de Formação oferecido pela empresa e correu atrás dos requisitos necessários para assumir o volante. E pensa grande. “O próximo passo agora é tirar a carteira para dirigir biarticulado”, fala Lurdes.

Além de receber salário e benefícios iguais aos demais colegas, Lourdes nunca sofreu preconceito, nem por parte dos passageiros nem dos colegas de profissão. “No máximo um passageiro que olha mais curioso pela surpresa de ver uma mulher no volante do ônibus. Ainda não é uma coisa muito comum”.

Outro destaque dentro da empresa é Ivone Dal Farra. Ex-diarista, hoje ela é uma das responsáveis pela manutenção e conserto da lataria, pintura, pneus, vidros, teto e piso dos ônibus. “Faço o que gosto e me dedico com gosto, mas meu objetivo é ser motorista e estou correndo atrás”, diz.

No volante do biarticulado

Para dirigir biarticulado é preciso ter carteira de motorista categoria E. Vânia Custella já tinha a habilitação quando foi contratada pela empresa Glória, há dois anos e meio. Ela é uma das poucas contratadas diretamente como motorista. “Essa sempre foi minha profissão, o primeiro registro na carteira de trabalho foi de motorista e hoje dirijo um dos maiores ônibus do mundo. É um orgulho muito grande”, diz Vânia.

O ônibus que Vânia conduz quase todos os dias tem 28 metros de comprimento. Ao contrário da colega da empresa Araucária, ela percebe o preconceito de alguns passageiros. “No começo era muito mais, agora já nem tanto, mas por incrível que pareça, no meu caso, são as mulheres que demonstram mais preconceito quando reparam que outra mulher está no volante do ônibus”.

Para Márcio José dos Santos, instrutor de motoristas da empresa Glória, a tendência é ter cada vez mais mulheres motoristas. “As empresas estão percebendo que elas são mais cuidadosas e o trabalho delas é muito elogiado pelos passageiros. Assim como aconteceu com as cobradoras, a tendência é aumentar o número de contratação de mulheres motoristas”, disse Márcio.
BEM PARANÁ

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