sexta-feira, 25 de novembro de 2016

MINISTRO DE TEMER E JORGE PICCIANI SURGEM EM ÁUDIO VAZADO DA LAVA JATO

Lava Jato vaza grampo em que Jorge Picciani é chamado de "ladrão" e Moreira Franco, ministro de Michel Temer, é citado por ter oferecido ajuda ao governador Pezão em troca de uma "fatura cara"

Jorge Picciani e Moreira Franco, ministro do governo Temer (Imagem: Pragmatismo Político)


O assessor do ex-governador Sérgio Cabral, Wagner Garcia, preso na semana passada durante mais uma fase da Operação Lava-Jato, foi grampeado durante 14 dias. De acordo com a coluna de Lauro Jardim, a Lava-Jato interpretou alguns trechos cifrados da conversa interceptada entre ele e um funcionário da Secretaria de Obras identificado como Rogério, no dia 14 de novembro.

“Segundo investigadores, Wagner e Rogério falam na delação de empreiteiros, comentam que o juiz do Rio de Janeiro (Marcelo Bretas) é mais severo do que o do Sul (Sérgio Moro) e conversam sobre a invasão à Alerj, há duas semanas. Os dois dizem que a fatura do “Italiano”, do “Rei do Gado” vai chegar.”, diz a coluna, acrescentando que para a Lava-Jato, “Italiano” e “Rei do Gado” seriam codinomes do presidente da Alerj, Jorge Picciani.

“Wagner: Mas deixa eu te falar uma coisa, o Italiano ficou preocupado, tá! Com a invasão de terça-feira. Sabia disso que o pessoal deu muita porrada nele, dizendo que a hora vai chegar, que é Rei do Gado, ladrão, safado.

Rogério: Mas a dele também está escrito, né, Wagner. A fatura dele…”

Segundo a coluna, Wagner e Rogério também falam no esforço de Pezão em tentar um acordo para salvar as contas do Rio. E dizem que Moreira Franco apresentaria uma “fatura cara“. Acrescentam que “Moreira não é santo“.

“Wagner: O Moreira ligou para ele (Pezão) e se mostrando com boa vontade para ajudar ele, né, mas aí você já sabe que a fatura fica cara também, né, a gente sabe que o Moreira não é santo.”

Os dois não especificam as razões para as afirmativas.

Ainda em gravações, um homem identificado como Luís Rogério Gonçalves Magalhães e Wagner Garcia usam códigos para se referir aos juízes Bretas (o “homem” e o “rapaz do Rio”) e Sérgio Moro (o “chefe” e “o cara lá do Sul”) – responsável pelos processos da operação Lava Jato e que também expediu mandado de prisão contra Sérgio Cabral.

Wagner: Amigão, o bicho está pegando, hein!

Luis: Olha aqui, a chapa derreteu!

Wagner: Rapaz!

Luís: A chapa derreteu, o homem foi lá e abriu…

Wagner: Saiu alguma coisa hoje na imprensa não, né?!

Luís: Não, mas eu estou sabendo já ai, o homem foi lá e quebrou o cofrinho!

Wagner: É mesmo é?!

Luís: Quebrou o cofrinho, meteu o martelo no porquinho e quebrou!

Wagner: Caraca!

Luís: Voou moeda para tudo quanto é lado, hein.

Wagner: Meu Deus do céu!

Luís: É rapaz…

Wagner: Tu está falando aquele rapaz do Rio, né?!

Luís: Esse rapaz do Rio, rapaz! Ele e o chefe deles, né!

Wagner: É, o chefe deles, o chefe deles já ia… já estava com tudo esquematizado.

Luís: O chefe deles já entregou a rapadura com pasta de caju.

Wagner: Meu Deus do céu…

Luís: E chamaram ele só para embalar.

Na sequência, Wagner e Luís Rogério dizem que “a fatura do Leblon já foi feita“, o que, segundo os investigadores, se refere à prisão do ex-governador Cabral, o “Leblon” do diálogo.

Wagner: Meus Deus do céu, cara! É, vamos ver como é que vai ser isso aí, porque dizem que a qualquer momento tá para estourar, né?!

Luís: Não, o Leblon já foi para o vinagre!

Wagner: É, mas até então tá em casa, né?!

Luís: Não, estou dizendo, já estourou assim, falta…

Wagner: É, falta só…

Luís: Chegar a conta só, mandar entregar na casa dele a conta.

Wagner: E dizem que esse rapaz do Rio é muito ruim. Se o cara lá do Sul é ruim esse aqui é pior ainda.

Luís: Dizem que a fatura lá do Leblon já foi feita, já faturaram.

Wagner: Entendi.

Luís: Só falta emitir a nota e mandar entregar em casa.

Wagner: Entendi, entendi! Meu Deus do céu! Junta com o cara lá do Leblon também, aquele lá do finalzinho do Leblon, do helicóptero.

Jornal do Brasil

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