sexta-feira, 14 de outubro de 2016

25 NOVOS MANUSCRITOS DO MAR MORTO SÃO REVELADOS




Mais de 25 fragmentos inéditos do que podem ser chamados de “Manuscritos do Mar Morto”, datando de 2.000 anos, foram revelados recentemente em dois livros.

Os vários fragmentos compreendem trechos de livros como Gênesis, Êxodo, Levítico, Deuteronômio, Samuel, Reis, Miqueias, Neemias, Jeremias, Joel, Josué, Juízes, Provérbios, Salmos, Ezequiel, Jonas e outros.


Especialmente, nenhum fragmento do Livro de Neemias jamais havia sido encontrado nas cavernas de Qumran, onde os primeiros Manuscritos do Mar Morto foram descobertos. Se este fragmento for autenticado, seria o primeiro.
Corrida contra o tempo

Os 25 fragmentos recém-divulgados são apenas a ponta do iceberg. 70 recém-descobertos apareceram no mercado de antiguidades desde 2002.

O ministro encarregado da Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA, na sigla em inglês), juntamente com um número de estudiosos, acredita que há pergaminhos desconhecidos sendo encontrados por saqueadores em cavernas por todo o deserto da Judéia.

O IAA está patrocinando uma nova série de pesquisas científicas e escavações para encontrar estes pergaminhos antes dos saqueadores.
Manuscritos do Mar Morto

Os Manuscritos ou Pergaminhos do Mar Morto foram descobertos entre 1947 e 1956 em uma série de 11 cavernas no sítio arqueológico de Qumran, no deserto da Judéia, perto do Mar Morto. Durante esse tempo, arqueólogos e beduínos locais encontraram milhares de fragmentos de cerca de 900 manuscritos.

Alguns dos beduínos venderam seus pergaminhos através de um negociante de antiguidades chamado Khalil Iskander Shahin, que atendia pelo nome de “Kando”. Shahin morreu em 1993 e seu filho William Kando agora dirige sua empresa.

Muitos estudiosos acreditam que os documentos foram escondidos nas cavernas por volta de 70 dC, durante uma revolta judaica contra o Império Romano. Eles podem ter sido escritos por uma seita conhecida como essênios.

O Qumran e suas cavernas estão localizados na Cisjordânia, um território capturado por Israel da Jordânia durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. A Jordânia, por vezes, tem afirmado que os documentos históricos pertencem a ela.

Embora o termo Manuscritos do Mar Morto geralmente refira-se aos pergaminhos encontrados em Qumran, houveram outros encontrados em diferentes locais no deserto da Judéia.
Os colecionadores

Os 25 fragmentos recém-publicados foram comprados por dois colecionadores.

Entre 2009 e 2014, Steve Green, dono da Hobby Lobby, comprou 13 dos fragmentos, que ele doou, juntamente com milhares de outros artefatos, para o Museu da Bíblia em Washington, EUA.

Uma equipe de estudiosos publicou detalhes desses fragmentos doados no volume do livro “Dead Sea Scrolls Fragments in the Museum Collection” (Brill, 2016).

Não se sabe com certeza a proveniência destes documentos. “Alguns destes fragmentos devem ter vindo de Qumran, provavelmente da caverna 4, enquanto os outros podem ter derivado de outros locais no deserto da Judéia”, escreveu Emanuel Tov, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, no livro.

Martin Schøyen, um coletor da Noruega, possui os outros fragmentos, cujo conteúdo foi detalhado no livro “Gleanings from the Caves: Dead Sea Scrolls and Artefacts from The Schøyen Collection” (Bloomsbury, 2016).

Schøyen, que tem uma vasta coleção de antiguidades, começou a reunir manuscritos bíblicos em 1986. Alguns dos fragmentos de sua coleção vêm das cavernas 1, 4 e 11 de Qumran, enquanto outros vêm de outras cavernas no deserto da Judéia.
Neemias

Um destaque dos novos documentos é o fragmento do Livro de Neemias (Neemias 2: 13-16).

O fragmento fala de um homem chamado Neemias que viveu durante o século 5 aC, em um momento depois de Jerusalém ser destruída pelos babilônios em 586 aC. O Império Persa tinha tomado o território da Babilônia e os judeus, que tinham sido forçados a deixar Israel pelos babilônios, foram autorizados a voltar para casa.

O texto registra a visita de Neemias a uma Jerusalém em ruínas, descobrindo que suas portas tinham sido “consumidas pelo fogo”. Ele inspeciona os restos das paredes antes de começar a trabalhar na sua reconstrução.

Em estudos anteriores, arqueólogos não tinham encontrado nenhuma cópia do Livro de Neemias nas cavernas de Qumran. Como este fragmento veio parar na América é um mistério, e pesquisadores dizem que não podem ter a certeza que provêm mesmo de Qumran.
Levítico

Outro destaque é um fragmento do Livro de Levítico. No texto, Deus promete que, se o descanso sabático for observado e os Dez Mandamentos obedecidos, o povo de Israel será recompensado.

“Se você andar de acordo com as minhas leis e guardar os meus mandamentos e implementá-los, então eu concederei chuvas a seu tempo, de modo que a terra dará o seu produto, e as árvores do campo os seus frutos”, diria parte do fragmento, conforme tradução de Torleif Elgvin.

Deus também promete conceder a paz e exterminar as bestas da terra, concedendo favores ao povo.
Falsificações

Estudiosos têm expressado preocupações de que alguns dos fragmentos sejam falsificações.

Os cientistas estão realizando testes nos manuscritos doados para tentar determinar sua veracidade.

Os resultados serão combinados com uma análise da escrita para dizer quais são as chances dos diferentes fragmentos serem infiéis. [LiveScience]

Natasha Romanzoti

é jornalista, apaixonada por esportes, livros de suspense, séries de todos os tipos e doces de todos os gostos.
HypeScience

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