quinta-feira, 11 de agosto de 2016

DEPUTADOS DO PSOL REVELAM QUEM SÃO OS RESPONSÁVEIS POR CUNHA CONTINUAR SOLTO

Deputados apresentam “Pódio da Cumplicidade” com os principais protetores de Eduardo Cunha. Rodrigo Maia, Michel Temer e outras lideranças são apontadas como responsáveis pela blindagem e lentidão no julgamento do ex-presidente da Câmara

Pódio da Cumplicidade a Eduardo Cunha (reprodução)


Deputados do Psol apresentaram na manhã de quarta-feira (3) o “Pódio da Cumplicidade”, na modalidade “prote(la)ção” ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os “medalhistas” da categoria são o presidente daCâmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente interino Michel Temer e “líderes omissos”. Segundo o líder do partido, Ivan Valente (SP), ”há uma cumplicidade, um conluio, uma disputa para saber quem protege mais Eduardo Cunha”.

O Psol e a Rede são as legendas responsáveis pela representação que pede a cassação do mandato de Cunha, já aprovada pelo Conselho de Ética. Rodrigo Maia disse na sessão de terça-feira (2), que lerá na próxima segunda-feira (8), em plenário, o parecer do colegiado. A leitura é o primeiro passo antes da votação no plenário. Pelo regimento da Casa, uma vez lido o parecer, a cassação entra na pauta após 48 horas, abrindo a possibilidade de votação ainda na quarta-feira (10). Para a perda de mandato de Cunha ser aprovada são necessários pelos menos 257 votos.

O processo está pronto para decisão antes do recesso de julho e tramita na Casa desde novembro de 2015. Desde que foi eleito, Maia tem evitado se posicionar sobre a data de votação. Todas as vezes que foi questionado a respeito, Maia limitou-se a dizer que colocaria a cassação de Cunha em votação quando tivesse a “casa cheia”, com pelo menos 400 parlamentares em plenário. Apesar de negar que a matéria seja um tabu, Rodrigo Maia afirmou que, agora, a prioridade de votação da Câmara é o projeto da renegociação da dívida dos estados,adiado para a próxima semana, ainda sem data definida.

Para os parlamentares da bancada do Psol, Maia não se movimento porque estaria sendo ameaçado por seu antecessor. Os deputados acusam Michel Temer e aliados de Cunha de trabalhar nos bastidores para que a cassação do peemedebista só seja votada depois do impeachment ou até mesmo depois das eleições municipais deste ano.

“Eles não querem a cassação de Eduardo Cunha agora porque ele pode abrir o jogo, ou seja, fazer uma delação premiada ou sair atirando. Isso pode atingir diretamente o coração do governo, o próprio presidente interino e vários líderes e parlamentares que foram sustentados por ele, financiados, cooptados ou intimidados por Eduardo Cunha”, disse Ivan Valente. “É insustentável, inaceitável essa situação de cinismo e cumplicidade”, completou.

Congresso em Foco

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