sexta-feira, 29 de julho de 2016

MP entra com mais uma ação contra quatro delegados e 16 investigadores

Dois comerciantes também foram denunciados no caso, que ocorreu no PR.
Operação investigou cobrança de propina para facilitar roubo de carros.
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Ministério Público do Paraná (MP-PR) entrou com mais uma ação contra quatro delegados e 16 investigadores de polícia. 

Segundo as investigações, eles faziam parte de uma quadrilha que cobrava propina para facilitar o roubo e o desmanche de carros. O caso foi investigado pela Operação Vortex, deflagrada em 2013.

A ação da Promotoria do Patrimônio Público tem como alvo 22 pessoas – além dos delegados e dos investigadores, dois comerciantes. Eles cobravam propina de donos de autopeças em Curitiba e Região Metropolitana. A Justiça não tem prazo para se manifestar se aceita ou não a nova ação de improbidade administrativa.

A Justiça já aceitou uma denúncia por formação de quadrilha, corrupção passiva, corrupção ativa, concussão – que é a extorsão praticada por funcionário público –, denunciação caluniosa e lavagem de dinheiro.

De acordo com as investigações, o esquema permitia a venda de peças de carros roubados e de mercadorias sem nota fiscal. Os delegados e policiais foram afastados no começo das investigações, mas, segundo a Secretaria de Segurança Pública, os quatro delegados trabalham atualmente em delegacias da capital.

 Dos 16 investigadores, um faleceu, quatro se aposentaram e os outros 11 continuam trabalhando.O chefe da quadrilha, conforme o Ministério Público, era o delegado Luiz Carlos de Oliveira, que já esteve à frente da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio, da Polícia Civil. Os outros delegados acusados são Marco Antonio de Goes Alves, Anderson Cássio Ormeni Franco e Gerson Alves Machado.

Na ação proposta por improbidade administrativa, os promotores pedem que afastamento dos envolvidos das funções que ocupam na Polícia Civil. Eles querem também que os delegados e investigadores sejam processados por enriquecimento ilícito e pediram à Justiça que decrete a indisponibilidade de bens dos envolvidos. A Justiça inclusive decretou nesta semana o bloqueio de R$ 109 mil em bens dos delegados e dos investigadores de polícia denunciados.

Os promotores relembraram, na ação, trechos da denúncia criminal já aceita pela Justiça.

Durante o tempo em que chefiou a Divisão de Crimes Contra o Patrimônio, Luiz Carlos de Oliveira idealizou e proporcionou condições para o funcionamento de uma quadrilha composta por policiais civis destinada à arrecadação indevida de vantagens. Por meio dos crimes de corrupção passiva e concussão, Oliveira associou os outros delegados.

Os promotores afirmam que a conduta dos policiais envolvidos no esquema de corrupção viola os princípios da constituição e evidencia atos que atentam contra a legalidade e a moralidade, o que caracteriza crime de improbidade administrativa.

Durante as investigação, os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) tiveram acesso a uma imagem, de dezembro de 2011, gravada pela câmera de segurança de um ferro-velho. Na imagem, o dono do ferro-velho, Milton Stigler, aparece com um maço de dinheiro na mão.

 Ele entrega o dinheiro para um homem com distintivo da polícia, que seria um investigador que fazia parte da quadrilha.

Milton Stigler foi assassinado em fevereiro deste ano, com quinze tiros, dentro do ferro-velho onde a imagem foi gravada. Antes de morrer, o comerciante havia feito revelações sobre o esquema aos investigadores do Gaeco. Stigler disse que pagou a um delegado para liberar peças que haviam sido apreendidas pela polícia.

A investigação sobre a morte de Milton Stigler está sendo feita pela Delegacia de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, e ainda não apontou os autores do homicídio.

Outro lado

O advogado que defende o delegado Luiz Carlos de Oliveira considera que houve uma precipitação do MP-PR. O advogado afirmou que não há provas contra o delegado e que nenhuma das testemunhas apresentadas pelo Ministério Público disseram que Luiz Carlos de Oliveira tenha pedido vantagem ilícita ou comandado uma quadrilha.

O delegado Marco Antônio de Goes Alves negou as acusações e disse que a ação contra ele é um equívoco do Ministério Público. Ele afirmou que comandou a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos em 2011 e que as estatísticas da gestão dele demonstram que a acusação contra ele não é verdadeira.

O delegado Anderson Cassio Ormeni Franco não foi encontrado para comentar o caso.

Já o delegado Gérson Machado negou as acusações. Ele disse que não há provas contra ele e lamentou o que chamou de "perseguição do Ministério Público". Machado afirmou ainda que ficou um ano afastado do cargo sem nenhuma prova contra ele e que foi reintegrado ao trabalho por decisão judicial.

Do G1 PR, com informações da RPC Curitiba

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