domingo, 3 de julho de 2016

“Dono” do avião de Eduardo Campos morreu por envenenamento, diz IML

Único foragido da operação Turbulência, Paulo Morato foi encontrado morto em um motel na última semana. Laudo do IML revela que ele morreu por envenenamento. Morato é considerado o “testa de ferro” da organização criminosa que abastecia com dinheiro as campanhas de Eduardo Campos

(Imagem: Motel onde o corpo de Paulo César Morato foi encontrado)


Investigado pela Operação Turbulência, da Polícia Federal, o empresário Paulo César Morato, 49 anos, morreu vítima de envenenamento por uma substância mais conhecida como “chumbinho”, usada comumente como raticida.

A informação foi confirmada na tarde desta quinta-feira pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. Segundo o órgão, ainda não é possível afirmar se Morato ingeriu o veneno por vontade própria ou foi vítima de homicídio. O corpo foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML).

Morato, único foragido da operação, foi encontrado morto no Motel Tititi, em Olinda (PE), há uma semana. Segundo a PF, ele era testa de ferro de um esquema que usou empresas fantasmas para financiar as campanhas do ex-governador Eduardo Campos, em 2010 e 2014, com dinheiro de propina de obras da Petrobras e da transposição do Rio São Francisco.

O empresário foi identificado como dono da Câmara & Vasconcelos, uma empresa de fachada, que teria recebido R$ 18,8 milhões da OAS, como suposto pagamento por serviços nas obras da transposição. O dinheiro, suspeita a PF, pode ter sido usado para financiar a compra do avião em que estava Campos e que caiu em Santos, em agosto de 2014, matando sete pessoas.

No início da semana, o Sindicato dos Policiais de Pernambuco (Sinpol-PE) acionou o Ministério Público do Estado, para solicitar explicações sobre o fato de uma equipe de peritos não ter conseguido concluir a coleta de impressões digitais no quarto onde Morato foi encontrado. De última hora, a operação foi suspensa pela Polícia Científica, levantando suspeitas de interferência política nas investigações.

A secretaria assumiu que houve uma “falha de comunicação” entre peritos e policiais, mas considerou “absurda” a ideia de que possa estar havendo uma acobertamento de homicídio no caso.

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