quinta-feira, 30 de junho de 2016

O bate boca entre Lindbergh Farias e Janaina Paschoal na comissão do impeachment

Lindbergh Farias e Janaina Paschoal bateram boca na comissão que discute o impeachment de Dilma no Senado Federal. Líder do PSDB, Cássio Cunha Lima saiu em defesa da advogada



A advogada Janaína Paschoal protagonizou uma discussão acalorada com o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) na comissão especial do impeachment e, segundo o senador, “passou dos limites de um advogado de acusação”.

Janaína pediu a fala para criticar Lindbergh por ter dito a jornalistas que o juiz Paulo Bueno de Azevedo, da Justiça Federal de São Paulo, que pediu a prisão do ex-ministro Paulo Bernardo, é seu orientando no doutorado. Afirmou que é verdade, mas que seus alunos e orientandos “têm liberdade para se expressar” e o fato de terem contato com ela não interferem em seus trabalhos, porque ela não usa “a régua do PT”.

“São vocês, petistas, que costumam ter essa prática de possuir vassalos e seguidores e não orientandos com liberdade para se expressar”, acusou. A fala da advogada levou a discussões entre os senadores e ela quis estender o assunto alegando que dizia respeito à sua honra, mas foi interrompida por Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM): “Isso aqui não é lugar para defender sua honra não, mas para discutir o impeachment. O assunto tem que ser tratado em outro lugar”.

O presidente da comissão, Raimundo Lira (PMDB-PB), deu a palavra a Lindbergh por ter sido citado. O senador rebateu no mesmo tom e disse que a advogada é quem passa do ponto. “Falei a verdade, que o orientando é seu. A senhora não está aqui por ideias, não. A senhora não engana ninguém, começou esse processo por R$ 45 mil e todos sabemos disso. Não venha me fazer idealismo que não cola.”

Lindbergh Farias afirmou ainda que Janaína tem proferido ataques a todos na comissão e fugido direto do foco do processo em avaliação. “Esse não deve ser o papel da advogada de acusação. Não tem dado uma contribuição concreta sobre o caso das pedaladas fiscais. Só espero que seja mais criteriosa ao falar dos outros.”

Não é a primeira vez que a advogada sai da seara dos seus limites e tenta discutir como se fosse parlamentar com os senadores. No início do mês, ela levou uma bronca do presidente do colegiado por dizer que queria registrar seu “descontentamento” com o que chamava de diferença de tratamento em relação a uns depoentes em detrimento de outros.

“Há uma diferença entre os convidados da acusação e da defesa. A acusação arrolou cinco testemunhas e a defesa arrolou quase 40. Paguei minha passagem para vir até aqui e acho que não devem ser chamadas mais testemunhas, nem ser aprovado o pedido de perícia porque esse pedido não se sustenta”, afirmou. Raimundo Lira disse à professora que sua indignação não faz sentido e que determinadas questões são internas, de prerrogativa da presidência e relatoria da comissão.

“A senhora falou durante o tempo em que quis nas vezes em que esteve aqui. Tenho certeza que temos trabalhado de forma a ser garantido um equilíbrio dos dois lados. Rejeito totalmente a indignação da senhora”, rebateu Raimundo Lira.

No início da tarde, durante solidariedade de senadores do PT, PCdoB e outros partidos para a senadora Gleisi Hoffmann (PT-RS), não apenas Lindbergh como o senador Jorge Viana (PT-AC) disseram que deveria ser avaliada pelo Judiciário a suspeição do magistrado que expediu os mandados judiciais da operação Custo Brasil (que resultou na expedição de mais de 60 mandados, incluindo o da prisão do ex-ministro e de busca e apreensão de documentos na residência do casal), pelo fato de ele ser orientando de Janaína, “uma das autoras do pedido de impeachment”.

A advogada já confirmou que cobrou e recebeu do PSDB R$ 45 mil para realizar um parecer sobre a possibilidade de impeachment da presidenta afastada e que fez a cobrança porque não é militante do partido. Mas, alguns meses depois, ela mesma assinou o pedido de impeachment, ao lado dos juristas Miguel Reale e Hélio Bicudo.

Na última semana, foi a vez de Janaína tentar responder ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), por uma declaração dele. Foi divulgado na imprensa, durante festa de São João na casa da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), em Brasília, que Renan teria dito, quando indagado sobre o motivo pelo qual não estava pagando a sua passagem para ir até Brasília, que “essa Janaína é muito chata”. No dia seguinte, a advogada não se fez de rogada. “Quero dizer aqui que o presidente desta Casa tem toda razão ao me chamar de chata. Sou chata mesmo”, afirmou.

“Esse comportamento está irritando muita gente porque ela não é parlamentar. Se quiser ser parlamentar, que se candidate nas próximas eleições, já estou até vendo ela falando nos comícios, mas aqui tem que agir como uma advogada de acusação”, disse Lindbergh.

“Olhem só que absurdo. A senhora advogada de defesa pediu a palavra pela ordem para questionar um senador da República pelo que ele tinha dito à imprensa. Aqui não é o lugar para isso, é uma comissão processante. Ela utilizou o espaço para, mais uma vez, distribuir agressões, criticar o PT e os petistas. Tem feito isso e somente isso desde a hora em que entrou nesta sala”, disse Vanessa Grazziotin.

“Não vou usar aqui esse espaço para pedir explicações de quem quer que seja que esteja falando de mim pela imprensa, embora seja senadora. Qual é mesmo o papel desta advogada? Ela não tem o direito de se comportar como uma parlamentar nem chamar a atenção de quem quer que seja”, destacou a senadora, que pediu para que ao final da reunião fosse explicado a Janaína qual é exatamente o papel de um advogado dentro da comissão.

O único a defender a advogada e professora foi o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PMDB-PB). Cássio pediu a palavra e afirmou: “Se, por acaso, a advogada não pode fazer determinadas acusações ao governo e à má gestão do governo, eu as faço como senador”.

informações de RBA

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