segunda-feira, 27 de junho de 2016

A COBRA,O PÁSSARO E O GRAVETO

Há alguns anos, li uma história sobre um homem que estava caminhando ao ar livre e notou um pássaro parado no chão como se estivesse hipnotizado. O pássaro estava olhando fixamente para uma cobra que se aproximava cada vez mais, pronta para dar o bote.


 Exatamente nesse momento, o homem atirou um graveto entre os dois. A cobra recuou e o pássaro voou. Ao longo dos anos, essa história continua sendo uma lição para mim.

Todos nós podemos ter desafios na vida ‒ episódios de doença, de carência e de infelicidade. Você alguma vez já se sentiu como um pássaro, incapaz de se mover, paralisado pelo medo? Eu já. Mas fui salvo por um graveto atirado em meu caminho. 

Que graveto é esse que quebrou meu medo?

Para mim, e talvez para você também, esse graveto tem sido a oração espontânea ‒ a capacidade de se voltar para Deus a qualquer momento e sentir a rápida influência do poder divino em minha vida. A oração não precisa de tempo e sossego para ser eficaz, ela pode ser instantânea, ajudando-nos a sentir o poder de Deus. Talvez você tenha descoberto, como eu, que a oração tem a capacidade de quebrar as amarras do medo e trazer a bondade e a proteção divinas à nossa vida.

Meu primeiro ano do ensino médio não foi fácil. A escola estava fora de controle. Eu via violência nos saguões e tráfico de drogas em cantos escuros. A área externa para fumantes tinha o fedor da maconha. Não havia salas fechadas. Os alunos vagavam por onde bem entendessem, quando quisessem. Era um caos.

Uma gangue em particular vagava por toda a escola à procura de alguém mais fraco do que eles. Eles o seguiam e, sem ninguém por perto, o pegavam e espancavam. Eles eram a minha “cobra”. Eu os temia, os odiava, e, um dia, virei o alvo deles.

Naquela noite, em meio a lágrimas, vergonha e completa falta de autoestima, voltei-me para minha Bíblia em busca de consolo. Em vez disso, o que encontrei foi chocante. Estas palavras de Jesus me desafiaram: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. Eu não podia acreditar que essa pudesse ser a minha resposta. Afinal, eu era a vítima!

Joguei o livro longe e apaguei a luz. Mas aquelas palavras continuavam a vir à minha mente até que compreendi que elas eram o “graveto” de que eu precisava. Eu tinha de orar por aquele grupo de alunos e amá-los. Eles eram excluídos ‒ diferentes do resto de nós ‒ e poderiam estar com raiva e desilusão. Embora não fosse fácil, resolvi vencer meu medo com o amor.

A metafísica cristã Mary Baker Eddy descobriu a natureza prática dos ensinamentos de Jesus, que traz cura a todas as situações, e chamou essa descoberta de Ciência Cristã. Fiquei intrigado com estas palavras dela, que pareciam um “graveto” ‒ uma maneira de quebrar a influência hipnótica do mal na escola e de curar o ódio entre os alunos: “A humanidade tem de aprender que o mal não é poder. Seu pretenso despotismo é apenas uma fase do nada. A Ciência Cristã despoja o reino do mal e promove, no mais alto grau, o afeto e a virtude nas famílias e, portanto, na comunidade” (Ciência e Saúde). A família da minha escola, que incluía até os membros daquela gangue, necessitava de afeto e virtude, portanto, continuei a orar.

Certo dia, eles me encurralaram novamente. Mas dessa vez, quando um deles me deu um soco no estômago, eu não senti nenhuma dor, apenas uma enorme sensação de fraternidade e amor. O membro da gangue me olhou intrigado e em seguida disse: “Vamos sair daqui!” Eles se foram. Esse foi o fim dos ataques contra mim.

Continuei a orar pela escola durante todo o verão. No ano seguinte, tudo havia mudado. Havia um novo administrador, os saguões estavam limpos, havia regras e estas eram aplicadas e cumpridas. Os saguões ficavam fechados durante o período de aulas e a gangue nunca mais apareceu.

A oração é eficaz. Compreender o poder do Amor divino é um graveto que pode quebrar a influência mesmérica do medo e do ódio. Quando compreendemos que Deus é mais forte do que a raiva ou o temor, conseguimos nos alçar até a liberdade espiritual e encontrar oportunidades de expressar esse Amor, neutralizar a ira e ajudar outros a sentir o Amor que cura.

Thomas Mitchinson


Thomas Mitchinson escreve sobre a relação entre pensamento, espiritualidade e saúde; é Comitê de Publicação da Ciência Cristã no estado de Illinois, EUA. 
Contato no Brasil: Brasil@compub.org

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