sexta-feira, 22 de abril de 2016

PROCESSO CONTRA CUNHA NO CONSELHO DE ÉTICA CAMINHA PARA TERMINAR EM PIZZA

Vice Presidente da Câmara estabeleceu nesta terça-feira (19) duras limitações às investigações contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética. 
O Conselho está proibido, por exemplo, de usar provas e documentos da Lava Jato contrários ao presidente da Casa. Na prática, foi dado um passo decisivo para uma 'pizza' no colegiado. Ninguém está nas ruas. Panelas não são ouvidas

Eduardo Cunha e Waldir Maranhão, aliado e vice-presidente da Câmara


Em decisão lida no plenário da Câmara dos Depurados nesta terça-feira (19), o vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), estabelece duras limitações às investigações de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética da Casa e, na prática, dá um passo decisivo para uma “pizza” no colegiado.

Na decisão desta terça, Maranhão proíbe que o Conselho investigue e use como prova contra Cunha qualquer documento ou depoimento que não diga respeito à suspeita de que ele mentiu à CPI da Petrobras em março de 2015. Na ocasião, ele negou ter contas no exterior.

Ao aprovar a continuidade do processo contra Cunha, o Conselho de Ética retirou, por pressão dos aliados de Cunha, a acusação de que ele recebera propina. Ficou apenas a acusação sobre a mentira na CPI.

O Conselho, porém, tinha deixado claro que iria usar toda a investigação da Lava Jato no seu relatório final. É isso que Maranhão proíbe. Ele diz que se qualquer prova adicional à acusação de mentir à CPI for usada no relatório, ele será considerado nulo.

Maranhão também acolhe vários argumentos de aliados de Cunha, apontando supostos “vícios” no processo, o que possivelmente será usado por esses mesmos aliados para conseguir a anulação de eventual resultado contrário ao presidente da Câmara.

Cunha é réu no Supremo Tribunal Federal sob a acusação de integrar o petrolão. Delatores e documentos apontam envolvimento do peemedebista com desvios de recursos da Petrobras.

Desde que seu pedido de cassação foi feito na Câmara, em outubro do ano passado, o processo anda a passos lentos e frequentemente sofre reviravoltas já que a palavra final sobre questionamentos apresentados por aliados de Cunha é de Maranhão, um desses aliados.

Aliados e adversários do peemedebista dão como certo que o processo não dará em nada. A probabilidade é que Cunha sofra uma punição muito mais branda do que a cassação. Até agora, ninguém está nas ruas e panelas não são ouvidas.


Folhapress/EBC/Ranier Bradon

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