quinta-feira, 21 de abril de 2016

Jean Wyllys admite que cuspiu em Bolsonaro após ser agredido pelo deputado

Além de ser chamado de “queima rosca” e “baitola” por ter votado contra o golpe, Jean Wyllys foi puxado por Bolsonaro e reagiu com uma cusparada. Em seu voto, Bolsonaro homenageou o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra e elogiou Eduardo Cunha



O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) disse que realmente cuspiu em direção a seu colega Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e afirmou que faria de novo. “Eu cuspiria na cara dele quantas vezes eu quisesse”, declarou. O deputado disse que não teme ser processado.

“Na hora que eu fui votar, esse canalha decidiu me insultar na saída e tentar agarrar meu braço. Quando eu vi o insulto, eu devolvi com um cuspe na cara dele, que é o que ele merece”, afirmou.

Em seu discurso na hora de votar pelo impeachment de Dilma, Bolsonaro exaltou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-Codi e acusado de comandar torturas durante a ditadura militar. Bolsonaro também elogiou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, réu no STF por corrupção e lavagem de dinheiro.

Bolsonaro negou que a cusparada de Wyllys tenha atingido sua face. Disse que se abaixou e conseguiu desviar na hora. De acordo com o deputado, a maior parte do cuspe pegou no deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS), que estava atrás dele na hora. Bolsonaro não disse se pretende processar o colega no Conselho de Ética da Câmara.

Em publicação nas redes sociais, Jean Wyllys alegou que Bolsonaro o chamou de “baitola” e “queima rosca”. Confira abaixo:

“Depois de anunciar o meu voto NÃO ao golpe de estado de Cunha, Temer e a oposição de direita, o deputado fascista viúva da ditadura me insultou, gritando “veado”, “queima-rosca”, “boiola” e outras ofensas homofóbicas e tentou agarrar meu braço violentamente na saída. Eu reagi cuspindo no fascista. Não vou negar e nem me envergonhar disso. É o mínimo que merece um deputado que “dedica” seu voto a favor do golpe ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército durante a ditadura militar. Não vou me calar e nem vou permitir que esse canalha fascista, machista, homofóbico e golpista me agrida ou me ameace. 

Ele cospe diariamente nos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais. Ele cospe diariamente na democracia. Ele usa a violência física contra seus colegas na Câmara, chamou uma deputada de vagabunda e ameaçou com estuprá-la. Ele cospe o tempo todo nos direitos humanos, na liberdade e na dignidade de milhões de pessoas. Eu não saí do armário para o orgulho para ficar quieto ou com medo desse canalha”

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